Internet reforça receitas publicitárias e audiência da CNN

27/01/2009

K.C. Estenson, novo gerente-geral da CNN.com, tem uma opinião ou duas sobre a maior parte dos sites: eles são previsíveis e homogêneos. Se você viu um, viu todos. Embora o tráfego da página inicial do CNN.com tenha aumentado mais do que nunca, "meu palpite é que as pessoas o visitam mais por hábito do que por amor", ele diz. Amor, de fato, é exatamente a meta de Estenson.

O ardor on-line foi testado na posse de Barack Obama, quando milhões de americanos ficaram diante de seus computadores acompanhando a cerimônia de juramento ao meio-dia, o que seria capaz de estabelecer novos recordes para a audiência de vídeo ao vivo pela internet – um momento em que a CNN.com estava bem posicionada para explorar.

À medida que a receita dos jornais despenca e a receita de televisão fica estagnada, cada empresa de mídia corre para reformatar o noticiário para a geração digital. Com esse intuito, elas apostam caro na esperança de responder a duas perguntas pertinentes: Como as organizações noticiosas continuarão a se sustentar? E como será a redação digital do futuro?

Em maior medida do que a maior parte de outras empresas de mídia, a CNN, o canal de notícias a cabo, já encontrou o modelo. Usando o número de visitas para as páginas como métrica, a Nielsen classificou o CNN.com como o site nº 1 em notícias correntes e globais no ano passado, com média mensal de 1,7 bilhão – meio bilhão de visitas mais do que seu concorrente mais próximo, o MSNBC.com.

Os analistas dizem que o website representa a parte da receita da CNN que cresce mais rápido, refletindo o aumento súbito no consumo on-line. Por décadas, "Qual canal é a CNN?" era a pergunta recorrente quando um júri chegava a um veredicto, quando as torres se incendiaram, e quando irrompeu a guerra. Agora, as pessoas também perguntam: "Onde eu faço a conexão?" De fato, o pouso de emergência de um avião dias atrás no rio Hudson gerou os maiores picos de tráfego para os sites de notícias.

Essa transição, naturalmente, ocorre há anos e prossegue hoje. No ano passado, pela primeira vez, mais americanos disseram ter recebido a maior parte das notícias nacionais e internacionais pela internet do que pela imprensa, conforme dados do Pew Research Center.

A televisão permanece o principal canal de notícias, mas a tendência a favor da internet é inegável. Richard D. Parsons, ex-presidente da Time Warner, controladora da CNN, fez alusão a isso em 2007 quando disse aos investidores: "Preocupo-me mais com a CNN agora do que com o CNN.com".

A televisão continua respondendo por uma vasta maioria da receita da CNN. Mas o site está se tornando mais do que só outra fonte suplementar de receita para a CNN, segundo Greg D’Alba, diretor de vendas de publicidade.

Publicidade

Até o início de 2008, a maior parte dos anúncios on-line era vendida em conjunção com os pacotes de publicidade da televisão, somando receita adicional. "O que vimos no início do ano passado foi um apetite por publicidade exclusivamente digital", diz D’Alba, reconhecendo que a mudança o surpreendeu. "Sabíamos que nosso produto digital podia sustentar a si mesmo".

Quando as pessoas ligam seus computadores pela manhã ou navegam no trabalho, elas tendem a acessar um punhado de sites para ler as manchetes de notícias.
Se as novas opções na internet parecem não ter fim, as "guerras dos sites de notícias" estão concentradas entre poucas grandes concorrentes.

Estenson diz que, além do CNN.com, eles se concentram em quatro outros sites: aqueles da MSNBC, Yahoo News, AOL News e The New York Times. Desses, a MSNBC é a maior concorrente.
Há uma década, a MSNBC e a CNN trocam lugares no topo da safra de notícias on-line.

Para ter o direito de se proclamar o melhor e obter uma fatia maior da receita de publicidade on-line, os dois sites disputam constantemente o primeiro lugar. Numa base mensal durante 2008, a rede de sites da MSNBC.com recebeu mais visitantes do que a rede da CNN.com, conforme dados fornecidos pela Nielsen – mesmo que os visitantes da CNN.com tenham visto muito mais páginas.

"Nenhuma delas é a rede Nº 1 de notícias a cabo, o que é irônico", observa Merrill Brown, ex-editor-chefe do MSNBC.com que agora presta consultoria para as empresas de internet. (Essa honra cabe à Fox News).

Decerto, a popularidade na TV e na imprensa escrita não se converte necessariamente em audiência para a internet. A Fox News atrai mais telespectadores do que a CNN e a MSNBC, mas está bem atrás das duas na internet. Outras organizações de notícias pela TV, incluindo a ABC News e a CBS News, são essencialmente fracassos na internet.A CNN saiu na frente.

O site, que fez sua estreia em 1995, "não era um site promocional para a TV; era uma plataforma de notícias para a audiência consumidora de notícias", diz Susan Grant, vice-presidente-executiva da CNN News Service, que abriga as unidades de internet da empresa.

Brian Stelter – The New York Times

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