Dispositivos eletrônicos se tornarão mais descartáveis


13/07/2004

No século 18 e início do século 19, pregos feitos à mão eram tão preciosos que, quando uma casa pegava fogo, o dono e seus amigos vasculhavam os escombros para recuperá-los. Hoje, graças a modernas técnicas de produção em massa, os pregos são itens descartáveis. Situação semelhante ocorre com as tecnologias modernas, ou seja, no modo como as pessoas encaram muitos produtos eletrônicos. Os dispositivos “exóticos” e muito valorizados de ontem, em geral, são tratados com desdém pelos usuários hoje. “Vivemos em uma sociedade descartável”, diz Randi Altschul, inventora do primeiro – e malogrado – telefone móvel descartável do mundo, feito de papel.

Antigamente, os preços elevados de produtos e custos relativamente baixos de reparo encorajavam as pessoas a tentar prolongar a vida até dos aparelhos eletrônicos mais banais. Hoje, quando um dispositivo quebra ou se torna obsoleto, freqüentemente sai mais barato jogá-lo fora do que tentar consertá-lo ou atualizá-lo. Como resultado, um conjunto assombroso de produtos, incluindo etiquetas RFID (identificação por radiofreqüência), monitores, telefones móveis, câmaras digitais e impressoras, está se encaixando ou já se encaixou na categoria “use e descarte”.Com mais tecnologias descartáveis inundando o mercado, os CIOs enfrentam um dilema. Por um lado, gadgets descartáveis baratos poupam dinheiro à empresa porque reduzem ou eliminam o custos de reparo e manutenção. Por outro, tecnologias descartáveis geram preocupações ambientais e de segurança. Equilibrar os riscos e os benefícios de um descartável é um dos principais desafios que os CIOs terão de enfrentar nos próximos anos.

Os produtos são descartáveis quando se tornam tão baratos que o comprador não se preocupa com o preço. No segmento RFID, por exemplo, os preços em queda das etiquetas devem incentivar o uso para rastrear itens cada vez menos importantes. No momento, os preços das etiquetas ainda são altos o bastante – em torno de US$ 0,20 cada – para impedir o seu emprego em produtos baratos como os comestíveis. Mas RFID já pode ser considerada uma tecnologia descartável quando se trata de determinados produtos de custo elevado, como TVs de plasma ou bolsas Prada.

Pessoas são outro tipo de “ativo de alto valor” que pode ser rastreado por RFID. A Precision Dynamics fabrica uma pulseira com tecnologia de chip RFID da Texas Instruments que pode ser usada por pacientes de hospitais, alunos de escolas e visitantes de parques temáticos e eventos esportivos. As pulseiras funcionam como um cartão, possibilitando que os usuários paguem suas despesas simplesmente sacudindo-as na frente de leitoras localizadas em bares, lojas e outros locais. (segue)

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