ARTIGO ESPECIAL: Para que serve o Natal?

15/12/2008

Octávio Caúmo Serrano

Não havia internet, video-games nem celular para dar de presente… Também não haviam inventado os televisores de plasma, os LCDs, note-books, carros automáticos, aviões super-sônicos ou os formidáveus transatlânticos!… A viagem era no lombo do burro – ou a pé –no meio do pó.

Será que nos aniversários do menino Jesus havia bolo, refresco, salgadinho? Certamente não cantavam parabéns a você porque a canção ainda não fora composta… Mas, certamente, beijavam-se e abraçavam-se, oravam e agradeciam a Deus pela família e pela saúde. José deixaria fechada a carpintaria para ficar em casa e receber convidados e amigos…

Talvez fosse um aniversário comum, porque nos primeiros anos nem Maria, nem José se davam conta do filho que tinham. Não era um menino normal, mas eles não sabiam!… Penso que nem havia registro de nascimento!… Tinham a data só de memória, talvez…

E quando Jesus se fez homem e já havia abraçado o apostolado como Salvador da Humanidade, deixando-nos lições que permanecerão para sempre? Iria para casa no dia do aniversário ou continuaria pregando onde estivesse, curando quem precisasse, acalmando quem estivesse possesso!… Os testamentos não dizem, mas temos certeza de que Ele faria o que fosse melhor para os seus irmãos e melhor atendesse às Leis de Deus… Para o homem de bem, todos os dias é um dia de novo nascimento!

Hoje, nas nossas casas, Ele é o ausente mais lembrado, porque se faz presente quando pensamos nEle. Infelizmente, Ele é para nós, não um caminho de paz e crescimento espiritual, mas um pretexto para intercambiar regalos e quinquilharias, com prazer, às vezes, por obrigação, outras tantas!… Mas se desejamos imitá-lo, recordemos o que nos informou: Disse que quando alimentamos um faminto, foi a Ele que o fizemos; quando visitamos um encarcerado, foi a Ele que atendemos; quando amparamos um doente, foi a Ele que aliviamos. Logo, a melhor forma de comemorar o aniversário do Messias de Israel é sendo generoso com o próximo, encorajando-o e suavizando-lhe o sofrimento.

A mesa farta dos desperdícios é uma afronta às misérias do mundo. Os depósitos de lixo ainda são a principal despensa de grande parte da população. São os mais visitados supermercados, onde cada faminto espera ser contemplado no sorteio das sobras com uma fruta parcialmente estragada e uma verdura já envelhecida…

Ninguém, todavia, se flagele, se deprima, ante as misérias do mundo, porque, geralmente, elas não são culpa nossa. Nem por isso, porém, justifica-se a omissão; só quem vive na carne a dor da penúria pode compreender a fome! “Ajude que o céu te ajudará.” Se comemoramos o aniversário de Jesus, porque o admiramos, vamos tentar imitá-lo no pouco que a nossa capacidade de entendimento já permite…

Tudo o que fizermos pelos outros será pouco. Mas quando comparado ao nada que muitos temos feito, já representará um grande prodígio. Afinal, é dando que se recebe!

Octávio Caúmo Serrano é um poeta paulista radicado em João Pessoa-PB, escritor e conferencista espírita, autor de vários livros e editor do Jornal alternativo Tribuna Literária.

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