Especialista diz que Brasil deve adotar padrão americano na TV Digital

16/10/2002

O professor Dalton Soares Arantes, do departamento de Engenharia Elétrica da Unicamp, participou – junto com o CPqD (Centro de Pesquisa de Desenvolvimento em Telecomunicações), Set-Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e Mackenzie – tanto da metodologia quanto da análise dos testes dos três padrões de TV digital que podem ser adotados no Brasil. Com base na experiência, o especialistas afirma que se tivesse de decidir hoje, o ATSC, norte-americano, seria o padrão mais indicado para o País.

“O sistema de modulação americano, o 8VSB, transmite sinais de até 19,3 Megabits por segundo e tem a flexibilidade de transmitir até quatro programas ao mesmo tempo”, diz o professor. “Além disso, opera na mesma faixa de freqüência utilizada no padrão analógico brasileiro, em 6MHz”, acrescenta. A vantagem da multiprogramação é que uma emissora pode escolher se vai transmitir um espetáculo ou uma partida de futebol em alta definição ou quatro programas diferentes com definição padrão.

Já as vantagens dos sistemas japonês, o ISDB-T, e europeu, DVB-T, é que eles permitem a recepção em sistemas móveis, só que a qualidade também cai. “Não faz sentido sacrificar a definição só para ter uma recepção móvel, que apesar de ser possível em teoria, não responderam bem aos testes, além de serem mais caros”, conclui Arantes. Por outro lado, os americanos estão testando evoluções para oferecer mobilidade também para atender o mercado brasileiro, que está bastante atento para este ponto.

Para alavancar a indústria, o modelo de negócios deve estar centrado para a fabricação de monitores de alta definição. A Europa não optou por este modelo, apenas pelo set-up-box, que faz a codificação dos sinais. Como nos Estados Unidos existe a tela de alta definição, este também é um ponto positivo para se adotar o modelo americano. “Com o mesmo padrão em todas as Américas, o Brasil poderá exportar monitores para todo o continente”, destaca o professor da Unicamp.

Estela Silva

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