Economia real sustenta alta da web

22/10/2007


Em 1982, o escritor americano William Gibson cunhou o termo ciberespaço para se referir ao ambiente virtual criado pelas redes de computadores. No mês passado, em entrevista ao jornal Washington Post, ele disse que o conceito deixou de fazer sentido: “O que não nos importamos mais em chamar de ciberespaço está aqui.” Nas palavras dele, tudo agora é ciberespaço.

A internet se tornou tão essencial à vida das empresas quanto o telefone ou a eletricidade. No Brasil, a prova disso está no número de endereços com final .br: em setembro, havia 1,193 milhão de endereços com esse final, de acordo com o Registro.br, um aumento de 20% em 12 meses. O mercado de hospedagem de sites tem apresentado, por vários anos, crescimento de dois dígitos, e ainda dá sinais de aceleração.

“A cada bimestre aparecem de 15 a 20 novas empresas de hospedagem”, diz Fernando Viberti, diretor da Conteúdo Online, que publica bimestralmente o relatório HostMapper Brasil, com informações sobre o mercado. Em julho, havia 429 empresas que hospedavam sites no País, e os endereços com final .br pertencem a 664 mil empresas e indivíduos. O Brasil é um dos seis países com mais de 1 milhão de endereços registrados. Os outros são Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Holanda e Itália.

A LocaWeb é a maior empresa do mercado. Criada em janeiro de 1998, tem controladores brasileiros e apresenta crescimento médio de 50% ao ano no faturamento. A empresa hospeda mais de 100 mil sites, sendo 3,3 mil lojas virtuais.

“A primeira idéia era fazer um portal de negócios para o setor de confecção, chamado Intermoda”, diz Gilberto Mautner, vice-presidente de Tecnologia e Novos Negócios da LocaWeb e um dos fundadores da empresa. Em quatro meses, os sócios perceberam que a idéia não decolava e resolveram oferecer espaço de hospedagem para terceiros. “Fizemos anúncio de 1 centímetro quadrado no jornal e, no dia seguinte, já tínhamos dez sites.” Mesmo com o estouro da bolha, em 2000, a empresa não deixou de crescer.

“Crescemos 150% em 2000 e 50% em 2001”, diz Mautner. “Tínhamos uns 100 sites de leilão hospedados em 2000. Todos sumiram. Mas a entrada das empresas reais na internet compensou a saída das pontocom que quebraram.”

Em 2006, a empresa criou um data center próprio, com mil metros quadrados e capacidade para 5 mil servidores. Antes, hospedava seus servidores na Embratel. Hoje, seu principal parceiro é a Telefônica, que fornece 4 gigabits por segundo (Gbps) de conectividade dos 5 Gbps que a empresa usa.

“Temos 1,8 mil servidores”, conta o vice-presidente da LocaWeb. “O número triplicou em 12 meses. No ritmo atual, o data center estará lotado no fim do ano que vem.” A empresa planeja construir novo centro de dados no próximo ano, com 5 mil metros quadrados. O investimento previsto é de R$ 50 milhões a R$ 70 milhões. A LocaWeb tem hoje na carteira clientes como Porto Seguro, Grendene e Schincariol. Em 2005, a companhia faturou R$ 56 milhões, e prevê chegar a R$ 80 milhões este ano.

ENDEREÇOS INTERNACIONAIS

A segunda maior empresa de hospedagem é a Terra, da Telefônica. “Existe um aquecimento geral do mercado de internet”, diz Norma da Matta, gerente de Produtos para Empresas do Terra. A companhia tem 200 mil clientes, que incluem outros serviços como acesso e correio eletrônico, além da hospedagem. “Cerca de 70% também têm hospedagem.”

Norma identificou aumento importante no número de domínios internacionais, sem o final .br, usado pelas empresas brasileiras. O Terra negocia para oferecer endereços com final .tv, com pacotes para empresas que querem oferecer vídeo.

O iG Empresas, da Brasil Telecom, oferece hospedagem desde setembro de 2006 e está entre os dez maiores do Brasil. “Estamos focados na pequena e média empresa e em profissionais liberais”, diz Flávio Elizalde, gerente de Produtos Empresariais do iG. A empresa tem 100 mil clientes, o que inclui o acesso discado e a banda larga.

Cerca da metade da carteira ainda está concentrada na Região Sul, onde a Brasil Telecom é a principal operadora, mas o iG se esforça para crescer em São Paulo, maior mercado do País. Segundo Elizalde, a empresa tem crescido na hospedagem de endereços internacionais com final .com. “Esse tipo de domínio é popular entre profissionais liberais, pois não exige CNPJ para registro.”


Renato Cruz

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