E-marketplaces globais, desafios locais No ratings yet.


10/03/2003

A primeira fase do mercado de operações B2B (negócios eletrônicos entre empresas) foi dominada por iniciativas locais. Agora, grandes conglomerados internacionais, que representam segmentos verticais, tais como varejo, mineração e automotivo, ensaiam a entrada no Brasil. A seu favor, eles têm o porte e sócios locais de grande envergadura. Contra: o tempo perdido. Quais serão os próximos capítulos dessa história?

Observe o caso do Transora, portal da área de varejo que atualmente tem 56 sócios, como Johnson & Johnson, Nestlé, Colgate, Procter & Gamble e Unilever. O portal veio para a América Latina em abril de 2001, quando Luiz Sergio Azulay Martins foi nomeado diretor-geral para a região. O objetivo era oferecer serviços que já existiam nos Estados Unidos e Europa, como e-procurement (compras eletrônicas). As opções eram duas: montar estrutura própria ou associar-se a um prestador de serviços local. “Chegamos a conclusão que se houvesse um parceiro confiável iríamos buscá-lo”, revela o executivo.

O portal Webb foi o eleito entre 12 empresas brasileiras analisadas. Hoje, o Transora gerencia o contato com o cliente, e o Webb é o responsável pela operação do portal, que entrou no ar em setembro de 2001. Martins acredita que esse modelo une o melhor dos dois mundos, pois dá agilidade para o rápido início da operação e o faz contar com um parceiro local, o que ajuda a entender e conhecer as regras de negócio do Brasil.

Em fevereiro de 2002, o Transora conseguiu equilibrar suas finanças na AL. Entre os produtos ofertados estão os leilões reversos, cotação e catálogos eletrônicos. No Brasil, o primeiro teste com catálogos foi feito em parceria com uma terceira empresa que, à primeira vista, parece ser um concorrente direto: o portal Mercador. O Transora entrou com os fornecedores e o Mercador, empresa do grupo Telefônica, da Espanha, agregou o supermercado D’Avó. O objetivo era sincronizar dados e garantir que o produto identificado pelo ERP de todas as empresas envolvidas seria o mesmo. “Tenho total intenção de operar com o Mercador em um futuro próximo”, revela Martins.

Também na área de varejo, o Worldwide Retail Exchange (WWRE) se posiciona de maneira diferente. Até agora, o portal não lançou mão de parcerias e começa a operar ancorado no Pão de Açúcar, cujo grupo francês Casino (acionista da empresa da família Diniz) é um dos sócios do portal, que também conta com Ahold, KingFisher, JCPenney, acionistas do Bompreço, Castorama e Lojas Renner, respectivamente. No total são 63 membros, 56 deles acionistas.

“Somos diferentes de outros portais porque não temos fins lucrativos”, explica Yair Esrubilsky, diretor de desenvolvimento de negócios para América Latina. Em 2002, foram 5,8 bilhões de dólares em transações e a operação obteve um excedente financeiro de 857 milhões de dólares, que foram repassados aos membros na forma de valor agregado, como descontos nas taxa de utilização.

O maior benefício para os membros é a redução de custos obtida com os serviços ofertados pelo WWRE. Esrubilsky estima que apenas com os leilões reversos, os varejistas conseguem redução de 13% a 20% no preço dos produtos. No Brasil, ainda não há números, pois a operação está apenas começando. Bompreço e Pão de Açúcar participaram de ações de sincronização de dados para catálogo eletrônico e começam a usar os serviços do WWRE.

O grande usuário brasileiro será o Pão de Açúcar. Segundo o diretor administrativo da companhia, Silvio Laban, a rede de supermercados já está trabalhando na adoção dos sistemas do WWRE, como plataforma alternativa ao PDNet (sistema próprio de compra dos fornecedores). Para ele, o WWRE e o PDNet são complementares. Os leilões, por exemplo, são exclusividade do primeiro, enquanto que o sistema do Pão de Açúcar se encarrega de gerenciar o relacionamento com os fornecedores que mantêm contrato com a rede e operam no regime de reposição automática de estoques.

Parcerias com empresas locais não são descartadas pelo executivo do WWRE. “Estamos esperando o momento adequado para nos aliarmos com outro portal. Por enquanto, conseguimos suprir as necessidades locais a partir dos Estados Unidos. Quando isso não for mais possível, podemos procurar um parceiro local”, afirma Esrubilsky.

Melissa Sayon

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