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17/07/2004

Estávamos jantando com amigos. A filha deles vai fazer vestibular. O papo na mesa caminhou nessa direção.

E eu logo sentenciei: “prepare-se, pois daqui para frente ninguém mais vai permanecer na mesma carreira a vida toda”.

A maioria das profissões usa computadores, que evoluem rapidamente, germinando novas funções e soterrando outras.

Exemplos?

O desenhista técnico de arquitetura cedeu a vaga aos atuais cadistas (que operam o software AutoCad). O arte-finalista dos jornais foi absorvido pela editoração eletrônica.

Nem o ordenhador de vacas escapou: seu lugar é do técnico de manutenção da máquina ordenhadora.

Disse mais: “no futuro teremos uma ilha de produtos, cercado de serviços por todos os lados”.

Veja a mudança do mercado de trabalho de 1920 para o de 1990, nos Estados Unidos (dados do autor Manuel Castells).

  • 1920 – Agricultura, 26,3%, Indústria, 35,5% e Serviços 38,4%.
  • 1990 – Agricultura 2,8%, Indústria, 25,3% e Serviços 71,8%.

Temos hoje academias de judô, de balé, de futebol, de capoeira. Turismo infantil, de aventura, ecológico, para terceira idade. Quem abrisse algo assim há vinte anos, morreria de fome – hoje, nem tanto.

Ou seja, basta tem uma pichação na rua e já aparece uma empresa especializada em removê-la. Um mar está mais limpo? Logo temos um carro que pega as crianças em casa para aulas de surf.

Do micro ao macro, todos estão na onda!

Acrescento: o que antes demorava seis dias, hoje leva seis minutos para acontecer on-line. O processo se acelerou e as mudanças são guiadas por esse ritmo.

Foi-se o tempo que se entrava para trabalhar em uma companhia e se relaxava. As firmas mudam. Hoje é uma, dez anos depois, será outra, e mais dez, uma ainda bem diferente.

A IBM era uma empresa de computadores há vinte anos, e hoje é quase uma de consultoria com produtos agregados.

Vale o conselho: um olho no padre – seu patrão – e mais uns dois, na missa, o mercado. Um belo dia, em plena comunhão, você pode ser expurgado da paróquia, por não ser mais útil aos interesses da missa.

Assim, faça cursos de empreendedorismo, pense como empresário, mesmo empregado. Tenha noções de marketing, inclusive pessoal, atendimento, finanças e planos de negócios, independente a carreira.

Entreviste pessoas que estão na área escolhida. Como estará a profissão nos próximos cinco, dez anos? Quais são os sintomas de mudança? Quem são os autores visionários?

Não teremos mais uma firma para crescer com ela – nós seremos a própria empresa. Você agora está no mercado em parceria com seu patrão. Pense assim e verás que os tropeços, que sempre existem, serão menores.

Agora você não é mais só você, é você.com.br.

 

Carlos Nepomuceno é jornalista e e-consultor. Colaborador do Jornal da Tarde de São Paulo e coordenador da Pontonet, especializada em gerenciamento de projetos web, e-business e teletrabalho.

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