Uma enorme enciclopédia chamada internet


06/12/2005

Uma das tantas vantagens e benefícios que a grande rede mundial nos trouxe é o acesso facilitado à informação. Mas se considerarmos a quantidade de informação disponível, bem, aí sim estamos falando em algo que realmente modificou nossos conceitos até então.

Diariamente pesquisamos notícias sobre o mercado de internet, não só com a finalidade de colaborar na seleção de conteúdo para o nosso site como para nos mantermos a par dos principais acontecimentos relacionados ao nosso próprio negócio. Também estamos sempre pesquisando informações relevantes para nossos clientes. E, apesar da internet não ser propriamente uma novidade para mim, continuo maravilhado em relação à incrível quantidade de informação disponível na rede.

Quando recordo de um tempo, já um tanto distante, em que ainda freqüentava a escola lá na longínqua Livramento, há mais de vinte anos, me lembro do “processo” que era preparar o material para fazer pesquisas ou trabalhos para a escola. Era preciso buscar diferentes fontes: livros, enciclopédias, jornais, revistas. Para isso, frequentava a biblioteca da escola, a biblioteca municipal e ainda a casa de uma tia que era uma grande fonte de sabedoria (tanto a casa como a tia) e por isso tinha uma grande quantidade e diversidade de livros e enciclopédias que “alimentavam” minhas pesquisas. Lembro também de quando, ainda criança de mais ou menos dez anos, li toda coleção do Monteiro Lobato (também na casa da tia). Eram pelo menos 10 volumes de livros enormes de capa dura, com muitas animações que mostravam as aventuras e desventuras da turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo.

Esse tempo passou. É claro que os livros continuam existindo e ainda são imprescindíveis para a formação dos jovens. Meu filho de onze anos tem lá seus livros escolares e livros de estórias. Entre eles, seus preferidos são os do Harry Potter. Mas, como fonte de pesquisa para trabalhos escolares, cada vez mais, utiliza a internet. É lá que encontra textos e imagens que precisa sobre os diferentes temas propostos pelos seus professores.

É, o tempo passou mesmo. E as crianças não se encantam mais com a turma do Sítio, mas sim com o “bruxinho” Harry Potter, entre outros. É natural. Hoje, com toda informação que os meios de comunicação oferecem, principalmente a internet, as novas gerações amadurecem e evoluem mais rapidamente e seu intelecto passa a exigir histórias mais complexas. Hoje é natural vermos adultos e crianças curtindo os mesmos livros e filmes. O avanço da tecnologia dos meios de comunicação, entre eles TV, celular e internet, está causando esse amadurecimento cada vez mais precoce das crianças e das gerações.

Mas será que toda essa informação está disponível a todos? Infelizmente não. Assim como os livros também não estão. Mas apesar do avanço da tecnologia e dos conceitos, os livros (jornais, revistas) ainda vão representar, por muito tempo, uma das mais importantes fontes de informação de grande parte da população brasileira.

A internet facilitou o acesso à informação de tal forma que hoje já não podemos imaginar alguém sem ao menos um e-mail. Mas não é bbem assim. A verdade é que a grande maioria dos brasileiros ainda não tem acesso à grande rede mundial.

Resultados de uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, em parceria com o IBGE, o Instituto Ipsos-Opinion e o Ibope//NetRatings, revelam que a inclusão digital ainda é um grande desafio para os próximos anos. O estudo mostrou que 55% dos brasileiros nunca utilizaram um computador, 68% nunca acessaram a internet e apenas 9,6% usam a rede diariamente. O mesmo estudo revela ainda que o acesso do brasileiro à internet depende do nível socio-econômico, renda familiar e região em que vive. E que pessoas mais jovens usam o computador e a internet com mais freqüência que as pessoas mais velhas.

Se por um lado temos uma fonte inesgotável de informação, por outro, existem as grandes diferenças sociais do nosso país impedindo o acesso da maior parte desses jovens sedentos por conhecimento. Assim como outras carências, até mesmo mais importantes, como saúde e trabalho, o problema da democratização da informação deverá ser levado mais a sério pela sociedade e seus governos. Com a democratização do acesso à educação e à informação, a sociedade caminha mais determinada para vencer suas dificuldades sociais.

Ricardo Prates Morais é editor da emarket News e consultor da emarket (www.emarket.ppg.br), agência de marketing e publicidade online.

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