TV usa ferramentas da internet para conquistar telespectador No ratings yet.

Por Gustavo Miller e Filipe Serrano

São Paulo, (AE) – Em maio do ano passado, o programa "Roda Viva", da TV Cultura, experimentou uma nova ferramenta. Alguns usuários do Twitter – serviço até então conhecido só por um punhado de pessoas no País – faziam comentários ao vivo no site de microblogging, de dentro do estúdio, sobre a entrevista com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.

Era a primeira vez que um programa de televisão no Brasil integrava o Twitter à programação. A experiência do "Roda Viva" é um exemplo de algo que virou regra na TV brasileira: aumentar a participação do público, cada vez mais conectado à internet.

O número de pessoas com acesso à internet varia conforme a pesquisa, mas algo entre 40 milhões e 60 milhões de brasileiros acessam a rede e navegam mais de 40 horas em um mês, de acordo com o Ibope/NetRatings. É a maior média mundial de tempo de navegação.

O brasileiro passa tanto tempo conectado que a televisão já deixou de ser a principal fonte de entretenimento, segundo o estudo "O Futuro da Mídia", patrocinado pela empresa Deloitte, divulgado em abril. Nada menos do que 53% dos pesquisados dizem que navegar pela web é a forma preferida de diversão. A rede perde só para assistir a filmes em casa (55%).

Isso não quer dizer que é o fim da televisão. A TV ainda é um o passatempo de muita gente (46%). Mas entre os cinco países pesquisados (Alemanha, Brasil, EUA, Inglaterra e Japão), o Brasil é o único em que a TV não está no topo da preferência das mídias eletrônicas.

Isso explicaria porque os brasileiros estão mais abertos a adotar novos serviços de interatividade na TV do que a população de outros países.

Um estudo da Intel, divulgado no fim de junho, que perguntou o que as pessoas gostariam de ter na televisão, identificou que o brasileiro quer que a TV se transforme praticamente em um computador.

Os pesquisados responderam que gostariam de acessar pela televisão suas músicas, suas fotos e seus filmes. Gostariam de assistir a vídeos na hora que quisessem. Também achariam bom bater papo e ler e-mails na TV, além de colocar esse conteúdo no Orkut.

Outro desejo é copiar os arquivos que estão nesse televisor "ideal" para celulares e computadores. Na pesquisa, 47% dos internautas disseram que assistem menos TV hoje do que viam no passado.

Como agradar? – A programação das emissoras já não é mais a mesma. Pensando em se adaptar ao público ligado na web, os programas integram cada vez mais formatos e ferramentas da internet.

O "Fantástico", principal termômetro das novas tecnologias na televisão, é praticamente feito com a participação dos internautas que enviam vídeos.

Começou com o quadro "Bola Cheia, Bola Murcha", apresentado por Tadeu Schmidt. Depois vieram os vídeos de pessoas comentando reportagens que vão ao ar poucos minutos antes. O quadro Cilada usava vídeos de internautas contando histórias de "furadas". E o novo programa da Regina Casé, "Vem com Tudo", é feito inteiramente com sugestões do público – via internet.

Programas como o "GloboEsporte" e o "SPTV" também adotam vídeos feitos por telespectadores.

Outro reflexo da influência da internet na linguagem televisiva é a presença de programas enxutos, de 15 minutos de duração. Só a MTV tem oito programetes desse tipo. E ESPN Brasil, Canal Brasil e GNT também apostam no formato.

A aposta tem explicação: é o chamado o tempo da internet. Como são curtinhos, eles falam bem com outras mídias, que pedem uma abordagem ágil e direta. 15 minutos, o programa de Marcelo Adnet, é o grande exemplo. No ano passado sua atração foi líder de audiência no canal e no site da MTV.

Segundo a emissora, essas atrações de tiro curto têm o dobro da média de audiência daquelas de uma ou meia hora.

A própria MTV incorporou o Twitter recentemente no programa Descarga, apresentado por Marcos Mion. Comentários de usuários do microblog aparecem ao vivo no programa.

Seja com o Twitter, com vídeos de internautas ou em programas de 15 minutos, as emissoras mostram que estão abertas para experimentar os formatos das novas mídias, que já não podem ser separadas da televisão. O público agradece.

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