Superlotação na internet?


29/06/2004

Houve um tempo em que as placas dos carros nacionais tinham apenas uma letra, seguida de cinco números. Anos depois as placas ganharam mais uma letra e um algarismo caiu. Hoje já são três letras, seguidas por quatro números. Tantas mudanças tiveram dois objetivos: disponibilidade e controle. Afinal, não é tarefa nada simples organizar uma frota nacional que hoje ultrapassa 36 milhões de carros, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Pois as motivações do passado que impulsionaram as ações dos engenheiros de tráfego podem ser as mesmas que direcionem as decisões do futuro junto dos engenheiros de informática. Mas nesse caso, a suposta ameaça de caos de chama internet, mais precisamente IPv4.

O protocolo de internet versão 4 nasceu no início da década de 80, com a finalidade de se tornar um padrão de comunicação entre diferentes redes. Com a chegada da world wide web em 1995, o IPv4 se expandiu e é hoje o padrão mundial. Acontece que a tecnologia tem, entre outras características, limitações de endereçamento IP. Segundo informações da Internet Assigned Numbers Authoriry (Iana), atualmente 68% dos endereços IPs disponíveis em todo o mundo já são utilizados. “É preciso destacar ainda também que o Brasil, quando recebeu seus blocos de endereçamento IP, ficou com apenas 0,8% de todo o montante, o que equivale a cerca de 3 milhões de endereços”, afirma Robson Oliveira, diretor de tecnologia da IPv6 do Brasil, empresa que já tratou de se batizar com o nome daquele que promete ser o novo protocolo do mercado.

Segundo o executivo, a Fapesp, que gerencia os endereços IPs no Brasil, já vem fazendo uma espécie de racionamento de endereços. “Quando qualquer operadora de telecomunicações vai até a Fapesp solicitar endereços IP para oferecer serviços a seus clientes, ela precisa demonstrar que iniciativas tomou para reduzir o volume de endereçamentos que já possui”, comenta Oliveira.

O que fazer?

Pode ser que a resposta definitiva para as limitações do IPv4 já esteja em curso. Há dez anos o Internet Engineering Task Force trabalha na versão 6 do protocolo. O IPv6 promete, entre outros benefícios, acabar com o problema de limitação de endereçamento, além de ampliar conexões fim a fim, dispensar o uso de NAT e trazer segurança dentro do próprio protocolo. Atualmente, diversos países da Europa e Ásia, além dos Estados Unidos já utilizam o novo modelo, inclusive em escala comercial. “O ambiente de defesa e operações militares dos Estados Unidos, por exemplo, deve operar com os dois protocolos até o fim de 2005 e apenas com o IPv6 até 2008”, comenta Oliveira. (segue)

André Borges

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