Spam: marketing direcionado ou tiro no escuro?


Pílulas para aumentar o pênis, correntes de trabalho em casa, ofertas de crédito, solução para a queda de cabelo, pornografia em massa. Esse é o mote da maioria das mensagens comerciais não-solicitadas que chegam diariamente à caixa de correio eletrônico dos internautas de todo o mundo.
O nome “spam” surgiu de uma série inglesa de comédia chamada “Monty Pyton”. Num dos episódios, os protagonistas visitam um restaurante cujo cardápio só tem pratos com Spam, marca de um presunto enlatado norte-americano. Eles ficam extremamente irritados com a garçonete e alguns vikings desajeitados, que repetem e cantarolam o termo “spam” repetidamente.
Dizem que o spam é o marketing do futuro. Alardeiam as infinitas possibilidades e potenciais de uma publicidade direcionada por região e hábitos de navegação do internauta.
O fato é que um terço de todos os e-mails que circulam todo dia pela internet já são spam. Dos 80 que diariamente chegam às minhas caixas postais, praticamente nenhum deles interessa.
A mensagem que me motivou a escrever esta coluna é de uma floricultura de Londrina (Paraná). Promoção, ramalhete de rosas por R$ 15, sem taxa de entrega. O problema é que moro em São Paulo –queria saber se a entrega é gratuita para cá também… (!?)
Coisas como essa revelam que, na absoluta maioria das vezes, o spam é um tiro no escuro. Pior que isso, essa história de “o spam é um recurso barato para empresas que não têm como anunciar em grandes veículo” pode ser um grande equívoco, um verdadeiro tiro pela culatra.
Mesmo sem ser um especialista em marketing, sou um consumidor. E gostaria de compartilhar com o leitor um pensamento: será que receber uma propaganda não-solicitada de um fornecedor de outro Estado ou até mesmo de outro país (vide webmails internacionais como o Hotmail) não irrita, em vez de cativar um possível comprador?
O efeito, nesse caso, se aproxima ao do pop-up. Muita gente fecha aquela janelinha que pula na tela mesmo antes de seu carregamento completo. Spam é quase a mesma coisa –com dezenas de mensagens imprestáveis no e-mail, apagar todas sem abrir nenhuma delas é prática bastante comum. Mesmo que, lá no meio, haja alguma que possa interessar.
Há inclusive propagandas de e-mail e pop-ups tão chatos, mas tão chatos, que falam negativamente sobre o produto. Ainda mais quando imagens e animações em Flash travam o computador ou literalmente “roubam” a velocidade do modem e o gastos com tempo de conexão.
Claro. No meio do milhão de mensagens por mês, uma pode de repente falar de um produto disponível na minha região geográfica pelo qual me interesso.
Mas então o “índice de efetividade” não é diferente dos registrados pela publicidade tradicional.(segue)
Francisco Madureira

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