Spam força internautas a se fecharem para e-mails


06/06/2003

Alto! Quem vem lá? Amigo ou inimigo? Os internautas, frustrados com o dilúvio cada vez mais intenso de e-mails comerciais não solicitados, conhecidos como spam, estão recorrendo a um novo arsenal de softwares que bloqueiam ou isolam mensagens de origem desconhecida. As opções de combate ao spam disponíveis variam de sistemas baseados nas listas de endereço que redirecionam mensagens vindas de remetentes estranhos a software de bloqueio de imagens e ferramentas colaborativas que permitem aos usuários denunciarem mensagens indesejadas com o uso de um único botão.

Os internautas estão, em geral, recorrendo a táticas semelhantes às dos guardas de castelos medievais, que impediam que desconhecidos atravessassem os portões. Isso pode soar interessante para qualquer pessoa que tenha tentado enfrentar as táticas de gato e rato usadas pelos spammers ou lidar com uma barragem diária de mensagens indesejadas e muitas vezes de conteúdo desagradável.

Mas alguns observadores da Internet consideram que o e-mail, como mídia para conversas informais e até mesmo íntimas, possa cair vítima da nova contra-ofensiva dirigida ao spam. O sistema de comunicação aberto que caracterizava o e-mail do passado está se desgastando à medida que a desconfiança e a sensação de desamparo crescem, dizem eles. “Está havendo uma balcanização da Net”, disse Karl Auerbach, diretor eleito da Icann, organização que supervisiona a Internet e engenheiro veterano da Web. “Existem comunidades de confiança se formando nas quais só se aceita tráfego de amigos conhecidos.

O EarthLink se tornou na semana passada o primeiro grande provedor de acesso à Internet dos Estados Unidos a instituir um sistema de bloqueio de mensagens como opção para seus cinco milhões de usuários. O sistema, conhecido como spamBlocker, compara as mensagens ao livro de endereços eletrônico do destinatário, que têm diversas alternativas quanto às mensagens não reconhecidas. O bloqueio se relaciona aos remetentes, e não ao conteúdo das mensagens.

Paul Judge, que preside um grupo de trabalho de combate ao spam, declarou em recente conferência sobre o problema que a expectativa de abertura da Internet precisa ser repensada. Do ponto de vista técnico, o e-mail costumava ser tratado como “inocente até prova em contrário”, e isso funcionava porque o número de mensagens úteis superava o de spam. Isso mudou agora. “Chegou a hora de pensar em um sistema fechado?”, pergunta Judge.

Reuters

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