Spam cresce vertiginosamente em 2002


27/11/2002

A quantidade de mensagens comerciais não-solicitadas (spam) cresceu dramaticamente ao longo de 2002, segundo as estatísticas de final de ano da companhia britânica MessageLabs. Em janeiro deste ano, a empresa identificou aproximadamente um spam a cada 199 mensagens no Reino Unido. Em junho, este número já havia crescido para um spam a cada 36 mensagens e, em novembro, um em cada 8 e-mails foi classificado como spam.

Como resultado desse crescimento, a MessageLabs, especializada em monitorar milhões de e-mails diariamente, interceptou uma média de 45 spams a cada minuto em 2002. A média mensal no Reino Unido ficou em uma mensagem não-solicitada para 14 e-mails legítimos.

De acordo com a empresa, as estatísticas na Europa acompanham o que se observou também nos Estados Unidos este ano. Em janeiro, a cada 37 mensagens recebidas pelos norte-americanos, uma foi classificada como spam. Em novembro, este número já havia saltado para um em cada três mensagens.

“Dada a tendência do Reino Unido em seguir os padrões de TI dos EUA, parece que as coisas vão ficar ainda piores por aqui”, prevê um comunicado divulgado na segunda-feira pela MessageLabs. Considerando que o Brasil também tende a seguir o que ocorre na terra de Tio Sam, é provável que a previsão também sirva para o mercado nacional.

No Brasil não há estatísticas oficiais atualizadas sobre o assunto. O último relatório do NBSO (Nic BR Security Office) sobre spam é de 1999 e já está completamente defasado. No entanto, estima-se que atualmente o endereço “abuse” do Movimento Anti-spam Brasileiro – www.antispam.org.br – receba cerca de 8 mil denúncias de mensagens não-solicitadas por dia.

A observação cotidiana também indica que o spam cresceu — e muito — no país, nos últimos meses. Uma mostra de que o Brasil está seguindo as tendências internacionais é a quantidade de mensagens em inglês que tem circulado em território nacional trazendo um conhecido golpe: o esquema Nigeriano.

Também chamado de esquema 419, numa alusão ao artigo do Código Penal da Nigéria que trata deste tipo de fraude, o golpe já existe desde muito antes do surgimento da Internet. Trata-se de uma mensagem escrita presumivelmente por um africano (geralmente da Nigéria), que oferece uma generosa recompensa para quem ajudá-lo a retirar do país uma fortuna (milhões de dólares). As vítimas são induzidas a fornecer repetidas somas em dinheiro até que seja marcado um encontro, normalmente em um hotel na Europa. É claro que esse encontro nunca acontece de verdade, mas até aí a vítima já perdeu uma considerável quantia em dinheiro.

A MessageLabs informa que este ano o volume de spam com o esquema da Nigéria detectado por seus sistemas cresceu drasticamente. O mesmo se pode observar no Brasil. Para se ter uma idéia, só ontem a redação de InfoGuerra recebeu duas mensagens de um certo Timson Parthy, um suposto engenheiro sul-africano que oferece 20% para quem ajudá-lo a retirar US$ 12,5 milhões de seu país. O serviço de inteligência britânico estima que, todos os dias, cinco americanos estejam no lobby de algum hotel de Londres aguardando a chegada de pessoas ligadas à fraude 419.

Entre todos os meses do ano, setembro foi o pior deles no quesito “spam”, com uma em cada cinco mensagens identificadas como não-solicitada. Fevereiro foi o mês mais tranqüilo, com um spam para cada 251 e-mails, de acordo com os dados da empresa britânica.

“Está se tornando cada vez mais evidente nos últimos anos que o spam tem a capacidade de comprometer seriamente a produtividade dos negócios no Reino Unido, e estas novas estatísticas sustentam essa opinião”, afirmou Mark Sunner, Chief Technical Officer da MessageLabs. “As pesquisas realizadas no começo do ano revelaram que 10% da jornada diária de trabalho é gasta lidando-se com spam, uma situação que apenas irá se deteriorar ainda mais no futuro”, acrescentou.

Sunner também chama a atenção para o fato de que as técnicas usadas pelos spammers para evitar os filtros de mensagens têm se tornado mais sofisticadas. Isto inclui a utilização de spams programados para mudar levemente de característica a cada envio, evitando desse modo os filtros estáticos.

Mesmo assim, ele acha que, embora as companhias não possam deter os spammers propriamente, elas podem se proteger utilizando métodos flexíveis de rastreamento de mensagens, a exemplo da detecção heurística usada em produtos antivírus. “Dessa forma, não há sobrecarga da equipe de TI e os e-mails legítimos não serão barrados equivocadamente por rígidos filtros do tipo ‘tudo ou nada'”.

Giordani Rodrigues

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