Seu e-mail em mãos erradas: saiba evitar


16/10/2003

Por R$ 10, 14.300.000 e-mails. A proposta pareceu tentadora e R.T.P., o Cyber Rep, resolveu arriscar. Segundo ele, valeu a pena. “Tive de procurar bastante, mas encontrei um CD bem completo. E o melhor: com poucos endereços repetidos”, afirma.

P. saiu em busca de um listão de e-mails porque queria divulgar um site de promoções que havia criado. Dos endereços contidos no CD, grande parte continua intacta: ele usou apenas 400 mil para disparar e-mails divulgando o canal. “Cerca de 60% dos endereços são válidos. Encontrei até o meu e-mail e os de amigos no pacote”, lembra.

Nesse mercado negro, as listas são vendidas indiscriminadamente. “Isso leva a uma avalanche de mensagens enviadas sem autorização”, constata Ricardo Almeida, diretor de Planejamento da Jump Solutions. “Spam é como produto de camelô: sempre tem alguém que compra”, completa Gil Giardelli, vice-presidente de Novos Negócios da Email Company, especializada em e-mail marketing.

O início do trabalho de P. não foi fácil: cerca de seis meses foram gastos no envio dos spams (uma média de 2 mil por dia). Nesse trabalho, o retorno atinge 10% – considerando a massa de e-mails válidos -, dos quais 80% preenchem o cadastro. Num cálculo rápido, conclui-se que, das 400 mensagens enviadas por P., 240 mil chegaram aos destinatários. Cerca de 24 mil deles clicaram no link para o site. Depois de todo o trabalho, cerca de 20 mil fichas foram preenchidas na página de cadastro.

Ele faz questão de ressaltar que não manda mais mensagens não solicitadas. “Essas pessoas querem realmente receber material promocional distribuído por nós. Aí já não é mais spam”, ressalta. O CD? Está guardadinho para o caso de ser preciso reenviar os spams para reconstruir a base.

Os 120 mil cadastrados que tem atualmente no site recebem periodicamente as mensagens de P.: ele tem quatro empresas-clientes e cobra de R$ 300 a R$ 700 pelo trabalho de e-mail marketing que faz para elas (para divulgar produtos e lançamentos). Seu site tem política de privacidade seguida à risca: ele garante que os endereços do banco de dados não são repassados para terceiros. “Essa base é minha, sou eu quem cuida dela”, explica.

E-mail marketing: a grande confusão

Muita gente que se cadastra em sites para receber material promocional reclama quando os e-mails chegam. As empresas que usam o meio eletrônico para divulgar seus produtos fazem questão de dizer que não praticam spam. “É importante mostrar as diferenças entre spam e e-mail marketing”, destaca Luiz Gabriel Meni, que coordenava o departamento de Marketing e Parcerias do Meu Grupo e agora trabalha na agência À Capela.

Ele explica que, no Meu Grupo, apenas quem assinala o interesse de receber boletins e ofertas é alvo dos disparos promocionais. “E todas as mensagens têm rodapé-padrão para que o internauta identifique a origem do e-mail e possa pedir o descadastramento daquela lista”, afirma. Segundo ele, a cada disparo, cerca de 1% dos integrantes da lista pedem para que seu nome seja excluído. “De cada 50 mil e-mails enviados, sempre um ou dois dizem que não se cadastraram e não querem receber o material.” (segue)

Roseli Andrion

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