Redes Sociais: O que é? Qual o potencial? Como colocar empresas?

19/01/2010

Flávio Horta

O brasileiro é invejavelmente social por natureza. Com o avanço das tecnologias e o advento da internet, a comunicação foi além das rodas de bate-papo nas ruas, bares, igrejas, cafezinhos, telefones etc. Conhecer pessoas ficou mais fácil. A internet distancia de alguma forma física os seres, mas os une de muitas outras. Encontrar a turma do colégio ou grupos com a mesma afinidade que nós com a distância de apenas um clique – ou de uma busca no Google – demonstra como o mundo mudou. Nunca imaginei discutir Dostoievski da forma que faço nas redes sociais, com tanta gente e tantas opiniões diversas que acrescentam ainda mais o conhecimento.

Na enciclopédia virtual Wikipedia, que também é uma rede social, encontra-se uma descrição para explicar o significado de mídias sociais: “ferramentas online projetadas para permitir a interação social a partir do compartilhamento e da criação colaborativa de informação nos mais diversos formatos.”

Para ter uma idéia do assustador tamanho atual do mundo das redes sociais, a maior é o Facebook, com 1.191.373.339 de views por mês.

No mundo, 1.1 bilhão de pessoas maiores de 15 anos acessou a Internet em maio/09, sendo que dois terços acessaram ao menos um site de rede social, diz a pesquisa realizada pela comScore. O Brasil só perde para a Rússia em horas navegadas em redes sociais.  “As redes sociais se tornaram um passatempo popular na internet não só em mercados maduros como a América do Norte, mas também em países onde há crescimento veloz da internet como a Rússia”, aponta Mike Read, diretor da comScore Europa. Ele ainda diz que “em um país de grandeza geográfica como a Rússia, redes sociais representam uma forma de ligar pessoas de cantos diferentes (…) e o comportamento de alguns usuários oferece oportunidades para marqueteiros e anunciantes que pretendem atingi-los”. E o mesmo pode ser aplicado ao Brasil.

Levando as mídias sociais para os negócios, imagine que onde há interação social e compartilhamento de informações, pode haver pessoas falando (bem ou mal) da sua empresa. A notícia ruim é que isso não pode – e não deve – ser controlado, mas você pode – e deve – ter participação, colaboração e dialogar nesses ambientes. Ou seja, querendo ou não, as pessoas vão falar da sua empresa e a decisão de você participar dessas discussões é sua.

Além de participar, faz-se necessário acompanhar tudo o que estão falando da sua empresa e para isso eu sugiro que você contrate uma companhia com experiência no assunto, afinal estamos falando da imagem, de como ela está sendo vista pelos consumidores.

Está é, antes de mais nada, uma fonte de pesquisa tão ou mais importante do que pesquisas realizadas por institutos, pois tem uma característica própria de extrema relevância: os consumidores estão falando espontaneamente, sem interferência nem possível direcionamento em suas opiniões.
É muito importante traçar objetivos, estratégias e definir como você quer aparecer no mundo digital quando alguém te procurar. Ter presença digital é simples. Basta começar cadastrando a empresa nas redes sociais. Para isso, crie um perfil dentro das redes que achar relevante para o seu negócio: Orkut, Facebook, Linkedin, Myspace, Twitter etc. É possível até criar a sua própria rede social, como é o exemplo do Ning. Atenção: as redes vão muito além do tão famoso Orkut. O compartilhamento de informações acontece em blogs, microblogs, chats, RSS, widgets, mensagens instantâneas, podcasts, sites de compartilhamento de vídeos e fotos, wikis e outros.

Apenas o cadastramento não é um trabalho de social media. Este é só o começo, é só a presença. O importante é cuidar da sua reputação digital, sem querer controlar, e tornar-se RELEVANTE nas redes.

E aí vão algumas dicas:

– Ofereça conteúdo que gere interesse para o internauta e para o seu consumidor;
– não tente controlar o conteúdo gerado pelos internautas;
– segmente a linguagem de acordo com cada público-alvo;
– seja transparente e objetivo;
– dialogue com quem está disposto a falar com você (seja falando bem ou não);
– chame o seu cliente para participar de experiências de seus interesses;
– leve informação relevante;
– gere discussões entre os próprios consumidores;
– ofereça meios para os clientes encontrarem outros clientes que estão dispostos a interagir e falar da sua marca.

Não fique fora e não deixe a sua empresa fora dessa onda, pois ela não vai acabar.
As redes sociais não dependem do que é e nem do que será a internet. Dependem do que são as pessoas, como elas se comportam no mundo. A internet é o meio que facilita a "socialização” e tende, cada vez mais, a crescer em relevância no mundo corporativo. 

Flávio Horta é gerente de marketing da Media Factory

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