Ponto-com e ponto-final

24/07/2006

Um grande número de empresas, de todos os tipos, possui hoje alguma forma de presença on-line. Pode ser um site institucional, um catálogo de produtos, um brandsite, um comércio eletrônico ou qualquer outro formato que se possa imaginar.

Isso acontece porque é muito fácil registrar um domínio, contratar uma hospedagem e pedir para um sobrinho webdesigner “fazer um site”. Ou seja, têm um site apenas pelo fato de que podem ter. É o tipo de empresa que quer ter um site, de qualquer jeito, não importa para quê. O importante é ter o site porque todos têm e só depois descobrir para quê ele serve.

Um dos pontos cruciais para uma presença on-line bem sucedida começa com o planejamento. É preciso inicialmente decidir qual será a finalidade do site pra depois implantar o projeto, e não o contrário. Essa é uma situação na qual a ordem dos fatores altera sim, e muito, o produto.

Basicamente existem duas abordagens a serem seguidas:

Na primeira a empresa utiliza o site para complementar sua comunicação com os clientes, ou seja, ele atua como uma extensão, um meio e não como um fim. As pessoas utilizam o site para obter mais informações sobre seu produto, serviço, conhecer sua empresa e verificar se vale à pena fazer negócios com você.

A efetivação do negócio não acontece on-line, mas sim com uma visita do cliente à sua loja, ao supermercado, com a visita de um representante ao cliente, com o envio de um catálogo, com um telefonema ou qualquer outro meio que não a internet.

Na segunda abordagem a empresa utiliza o site como um fim, ou seja como um negócio com vida própria. O site é o lugar onde o cliente vai para efetivar uma ação, que pode ser comprar um produto, contratar um serviço, inscrever-se para um vestibular, um curso, preencher um formulário ou qualquer outra coisa.

O site é a única interface entre o cliente e a empresa. Em uma analogia com o mundo real ele é ao mesmo tempo o vendedor, o caixa e o empacotador; a hostess, o garçom e o cozinheiro; ou seja, é ele quem recebe o cliente, informa sobre o produto, efetua a venda, recebe o dinheiro e faz a entrega.

Parece tudo muito simples, mas é justamente aí que mora o perigo. As coisas mais simples são as que recebem menos atenção e as que mais influenciam no resultado final.

Recentemente acessei o site de uma empresa onde, entre inúmeros outros problemas, era necessário preencher um cadastro de 15 campos, incluindo CPF, RG, CNPJ, IE, telefone e endereço completo para, após meu cadastro ter sido analisado eu finalmente ter acesso ao catálogo de produtos.

Você deve estar imaginando que se trata de uma empresa que vende algo que merece um cuidado extremo, algo como material radioativo ou similar, não é mesmo? Quase: é uma fábrica/loja de bolsas femininas.

Quando é que, no mundo real, um vendedor pediria para ver minha identidade, CPF e fornecer meu telefone e endereço completo antes que eu pudesse entrar na loja para conferir os produtos? Nunca!

Quando é que essa empresa vai ter resultados com a internet? Nunca também.

Ter um site apenas por ter é bobagem, como bem disse Dionísio : “Seja sua fala melhor do que o silêncio, ou então fique calado”.


Luigui Moterani é editor do blog Internet e Algo Mais e sócio da agência ADI.

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