Poder para o povo, via Web


03/11/2003

A BBC (British Broadcasting Corporation) lançou um sofisticado website de ativismo com o qual espera permitir que as pessoas se envolvam mais nos problemas de suas comunidades e oferecer ferramentas para que os cidadãos britânicos chamem a atenção das autoridades para seus problemas locais.

A emissora estatal britânica lançou uma versão beta do iCan no último dia 22. O site incorpora redes sociais, publicação de conteúdo e ferramentas para a organização de campanhas para fomentar o envolvimento cívico. É uma mistura de Tribe.net, MoveOn.Org e MeetUp.com.

O site diz que seu objetivo é ajudar as pessoas a “fazer algo a respeito dos problemas de suas vidas”. Ele traz informações sobre problemas em potencial, conecta cidadãos preocupados e os ajuda a cobrar providências. O site também oferece guias e ferramentas de campanha para levar os problemas ao conhecimento das autoridades.

Segundo a BBC, a idéia do site, que esteve em desenvolvimento durante os últimos 14 meses, é combater a apatia dos eleitores. O comparecimento de eleitores nas votações do país caiu bastante – é de apenas 75%.

O iCan funciona assim: se os moradores de algum subúrbio estão descontentes com a falta de estacionamentos em seu bairro, eles podem postar suas reclamações e propostas no site. Os vizinhos podem discutir pelo chat e votar as propostas, marcar reuniões e usar as ferramentas de campanha do site para entrar em contato com seu representante no Parlamento.

Enquanto isso, um morador do centro de Londres com o mesmo problema pode se informar sobre o assunto no site, contatar o grupo que organiza a campanha para saber o que está funcionando e o que não está, e começar sua própria militância no centro da cidade.

Além disso, a imprensa terá um lugar definido para ir quando quiser acompanhar esforços comunitários. Assim, o que começa num pequeno subúrbio pode virar uma legislação nacional para regulamentar áreas de estacionamento. “No fim das contas, toda a política é local”, afirma Ross Mayfield, executivo-chefe da Socialtext, uma empresa que produz softwares colaborativos. “As pessoas não sabem o quanto têm em comum com seus vizinhos no que diz respeito à política. Qualquer coisa que for capaz de uni-los é poderosa”.

Apesar disso, pouca coisa está acontecendo na versão beta do site. A BBC não anunciou o iCan, e seus executivos recusaram os pedidos de entrevista. Seus tópicos iniciais incluem direitos de maternidade, limpeza urbana e ciclovias. Mas ele já atraiu algumas campanhas criadas pelos membros: um usuário, por exemplo, está usando serviço para solicitar a regulamentação das placas colocadas pelas imobiliárias nos gramados das casas, que poluem a paisagem. Outro pede a limitação das vendas de fogos de artifício.

Para alguns, no entanto, estes são problemas sem importância. Uma semana depois do lançamento, os links para uma sátira online chamada iCan’t começaram a aparecer em vários weblogs. Criada por Richard Kirkcaldy, de Yorkshire, a sátira tem o mesmo visual que o site oficial. “Nunca vamos debater nada de importante”, diz um aviso na base da página. “Vamos colocá-lo na lista do MI5 por colocar seu comentário”, diz outra mensagem, referindo-se ao serviço britânico de inteligência. (segue)

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