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27/05/2007

A Internet é um instrumento de pesquisa fantástico! Seus dados são atualizados com um dinamismo sem precedentes disponibilizando publicações, imagens, opiniões e notícias de inúmeras fontes e vertentes. Uma verdadeira revolução! Mas parece que alguns estudantes ainda estão tendo dificuldades para utilizá-la ou não entenderam seu potencial.

Numa publicidade exibida até recentemente na televisão um aluno interrompe, meio sem jeito, a leitura de um trabalho na classe com a desculpa de que era o que ele havia conseguido baixar antes da conexão cair. Na cena final, ele apresenta, orgulhoso, um calhamaço com dados obtidos via banda larga, como sendo um exemplo de boa pesquisa. Ressalvados os aspectos de marketing – com o quase irresistível apelo tecnológico – o comercial é emblemático de um uso inadequado e inócuo, do ponto de vista didático-pedagógico, da Rede Mundial.

Pesquisa sem síntese e conclusão é perda de tempo, papel, tinta de impressora (bastante cara, por sinal). Faz lembrar o advento das cópias “xérox”, nos anos de 1970, que geravam trabalhos escolares ótimos para exercitar a massa muscular dos braços, mas sem nenhum proveito para outra massa: a cinzenta. Mas uma nova modalidade de pesquisa escolar via Internet vem se destacando negativamente: estudantes acessam fóruns de debate leigos (jornais etc.) e salas de bate-papo virtuais para pedir informações sobre seus trabalhos acadêmicos aos participantes.

Estão confundindo pesquisa na Internet com pedido de auxílio digital ou cola virtual. É uma estratégia de alto risco!

Usar a Internet para pedir informações contando com a boa vontade dos outros é um recurso que pode até surtir efeito, por pura sorte, mas não ajuda em nada no processo de aquisição de autonomia intelectual nem na qualidade do produto. No mais, muitas opiniões obtidas dessa forma poderão representar interpretações facciosas, pretensiosas ou leigas sobre o tema, dadas com a convicção da estupidez presunçosa e, não raramente, patológica. Isso pode ser muito bom para aquecer debates, mas quase nunca útil para trabalhos científicos sérios.

A busca de informações “on line” pode ser muito mais específica e produtiva se forem utilizadas adequadamente as ferramentas de busca disponíveis em sites de universidades ou comerciais, tais como: Google, Yahoo, AltaVista, etc; e todas operam a partir de palavras ou frases-chave sobre o assunto. A pesquisa evolui pelo cruzamento de informações, o que dá um pouco de trabalho, mas excelentes resultados.

Então, porque esses alunos não utilizam adequadamente esses recursos?

Talvez porque ainda existam educadores que têm aversão ou sentem-se incomodados com a Informática e a Internet. Ignoram que estes indispensáveis recursos reverterão, seguramente, em benefício próprio, pessoal e profissional, além de permitirem orientar os alunos de maneira a tirarem o máximo proveito da Rede Mundial, conjugada com os meios convencionais de pesquisa.

Como diz outra propaganda: está na hora de mudarem seus conceitos – tanto alunos quanto professores – e se adaptarem ao novo, que já nem é tão novo assim.

Se o incômodo é inevitável, relaxem e divirtam-se!


Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro e professor universitário (UNISANTOS e UNISANTA) e cursa Mestrado em Educação (UNISANTOS).
Site: www.algbr.hpg.com.br

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