O futuro da Internet em jogo

09/02/2008

O anúncio era esperado. Mesmo assim, o mercado ficou estarrecido com a proposta, feita pela Microsoft, para aquisição do Yahoo!: US$ 44,6 bilhões. Por trás dessa cifra astronômica, está o mercado de links patrocinados e o avanço do Google, que domina o mercado em questão, na maior fortaleza da empresa de Bil Gates: o sistema operacional Windows e o pacote Office.

A oferta hostil, segundo analistas, deve aumentar. Os US$ 31 por ação oferecidos pela Microsoft, que representam um prêmio de 62% sobre o valor de mercado dos papéis do Yahoo!, devem se elevar para US$ 34 e a expectativa é que a empresa faça o que for necessário para concluir a aquisição.

E não é para menos. Com a migração das ferramentas de escritório e produtividade para a web, fenômeno recente mas que vem ganhando cada vez mais força, o Google passou a ameaçar a hegemonia da Microsoft. Além disso, os anúncios on-line representam um mercado bilionário e em ascensão. A união das duas empresas criaria uma gigante capaz de rivalizar com o Google nessa questão.

Em seu blog oficial, o Google chegou a protestar contra o negócio, dizendo que a compra acabaria criando um monopólio na Internet. A empresa, inclusive, já se ofereceu para “ajudar” o Yahoo! a escapar da oferta, possivelmente com uma aliança. Jerry Yang, diretor-executivo do Yahoo!, por sua vez, disse em um e-mail enviado para os funcionários e para a Securities and Exchange Comission, órgão responsável por fiscalizar o mercado de capitais dos Estados Unidos, que a diretoria da empresa está estudando algumas alternativas para se livrar da compra e enfatizou que nenhuma decisão foi tomada.

Porém, para a maioria dos analistas de mercado, é praticamente impossível alguém competir com a proposta da Microsoft por conta do valores envolvidos e da vontade da empresa em se concluir o negócio. A única alternativa seria o Yahoo! se manter independente, mas isso também seria pouco provável.

De qualquer forma, mesmo obtendo sucesso, a Microsoft, para se ver definitivamente livre da ameaça Google, ainda terá de superar um desafio do tamanho do negócio: unir as duas companhias. O fato é que uma fusão como essa gera uma série de problemas, a começar pela manutenção de profissionais — principal ativodas empresas de tecnologia — e por definir quais produtos concorrentes das duas empresas sobreviverão e quais serão extintos, o que acarreta em cortes de funcionários.

Ou seja, se no papel a fusão parece ser a melhor coisa a fazer, na hora de colocar em prática o cenário pode mudar de figura, e o que tinha tudo para ser um duradouro pode acabar em separação judicial antes do que se imaginava.

*Com agências internacionais

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