Marketing one-to-one: coisa do passado No ratings yet.

Arreou o cavalo e atrelou-o à charrete; exatamente como fazia todos os dias. O leite havia sido tirado às 4:00 da manhã e, como de costume, foi colocado em grandes botijas de metal com capacidade para 30 litros cada. O sol já despontava no horizonte e sinalizava a hora de partir. Ribamar colocou seu chapéu de matuto e rumou rapidamente para a cidade. O leite – de cabra – era sempre bem-vindo e, além disso, Ribamar nunca se atrasava; passava de casa em casa oferecendo seu produto que, aqui entre nós, era uma verdadeira saudação de “bem-vindo colesterol”. Mas tudo bem, estamos falando de um local onde esse tipo de preocupação não chegou ainda.
– Olá Dona Rita! Como vai a senhora?
– Estou bem Ribamar, graças a Deus.
– Ricardinho melhorou?
– Não, não melhorou não Ribamar. Estou preocupada com meu filho.
– A senhora fez aquele chá que lhe ensinei?
– Fiz sim Ribamar, mas aquelas folhas que você me vendeu se acabaram.
– Ah! É pra já! Aqui estão mais algumas. Com certeza serão suficientes.
– E seu marido? Conseguiu um novo emprego?
– Antes de ontem ele esteve em uma entrevista para trabalhar em uma loja ali na praça, perto da igreja. Ficou de voltar lá amanhã para acertar o salário.
– Bom, espero que ele consiga… aqui estão o leite e as folhas para o chá.
– Até amanhã Dona Rita.

Ribamar, definitivamente, sabia cativar.

Na casa de Dona Yolanda, o bate-papo se repetia:
– Bom dia Dona Yolanda!
– Bom dia Ribamar. Aliás, que dia lindo faz hoje não é verdade?
– Sim, a senhora tem razão. O dia está maravilhoso.
– Aqui está o seu leite. Tirei-o ontem à noite, pois sei que a senhora gosta do leite com mais nata para fazer seus doces.
– Ah…Ribamar, você me encanta! Incrível que você saiba exatamente como gosto do leite.
– Muito obrigado Ribamar e pode ficar com o troco.

Enquanto isso, o executivo entrava nervoso na sala de reuniões. A reunião seria longa: Marketing One-to-One. A empresa precisava rapidamente delinear uma estratégia para utilizar esse novo conceito de marketing e abordar cada cliente como se ele fosse a “Sua Majestade”, único, com vontades e gostos singulares. Após 2 horas de discussões veio a decisão: a empresa investiria 3 milhões em ferramentas de BI(Business Intelligence) e CRM(Customer Relationship Management) para modelar e prospectar informações viabilizando, assim, o verdadeiro conhecimento sobre o cliente.

Mas será que o Marketing One-to-One é algo tão moderno assim? Para mim, One-to-One é como voltar ao passado a uma época onde o leiteiro ia de porta em porta, sabia o nome das pessoas, o que mais lhes agradava e o que acontecia dentro de cada família. As técnicas, essas sim, evoluíram e muito, mas a essência do One-to-One é antiga.

André Ferrari é diretor do Grupo Relacione-se e palestrante.

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