Lojas preparam varejo on-line para massas

28/01/2010

Por Cecília Araújo

O volume de vendas superou as expectativas do setor de comércio on-line em 2009. Somente a Braspag – plataforma de e-commerce que reúne diversas lojas virtuais -, registrou um aumento de 100% no número de internautas que passaram por seu site em relação ao ano anterior, uma tendência que aponta a chegada da classe C a esse mercado. Até o momento, os principais incentivadores do movimento foram os preços do computador pessoal, cada vez mais acessíveis, e as possibilidades de crédito. Consequentemente, mais lojas têm investido, percebendo o potencial daquele segmento social. "Já existem muitas ofertas de lojas virtuais especificamente destinadas à classe C, que permitem o parcelamento e oferecem preços mais acessíveis", conta o diretor de desenvolvimento de negócios internacionais da Braspag, Svante Westerberg.

A loja virtual Amercantil.com.br – especializada em eletroeletrônicos, informática e produtos com alta inovação – é exemplo de companhia que aposta nessa tendência: "Começamos com 15% de compradores da classe C, e agora esse número já chega a 40%. Para 2010, a expectativa é que represente 60% de nossos clientes", diz Marcelo Albino, sócio-diretor da loja. Para isso, é preciso promover mudanças no negócio. "Enquanto as classes A e B compram produtos em três ou quatro vezes, a classe C divide em oito ou dez pagamentos. Para incentivar o consumo desse segmento, parcelamos em até doze vezes", conta.

A rede de eletrodomésticos PontoFrio.com aposta até em alterações na interface de seu endereço eletrônico para servir os novos clientes. "Estamos nos preparando para atender esse novo público, com o objetivo de tornar a experiência da compra mais tranquila para ele", diz Vicente Rezende, diretor de marketing. O primeiro passo é facilitar a navegação, tornando o site auto-explicativo e redundante o suficiente para não deixar dúvidas ao usuário menos acostumado com a internet. "Além disso, vamos apostas em preços baixos e facilidades de pagamentos", afirma.

Segundo Westerberg, da Braspag, o crescimento do acesso à internet ainda não é proporcional ao aumento da compra on-line. Mas não deixa de ser animador. "O mercado total do e-commerce cresce 30% ao ano no Brasil. Com as iniciativas de governos e empresas de popularização da internet, esperamos que esse crescimento chegue a 35%", opina.

O impacto também está relacionado à ampliação do acesso para além das grandes cidades e capitais, onde a compra on-line já é forte. "Quanto mais distante o consumidor está desses centros, mais lenta é a internet, o que desmotiva a compra", avalia Westerberg. "Para uma loja virtual, a disseminação da banda larga corresponde à instalação de ‘novas lojas’ em diferentes regiões do Brasil", acredita Albino, da Amercantil.com.br.

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