Jornais e sites vão travar guerra pelo mercado de classificados


24/03/2005

Não muito tempo atrás, a seção de classificados de um jornal era o melhor lugar para vender um carro, alugar um apartamento ou anunciar um emprego. Agora, a Internet vem abalando esse segmento pacífico e sempre lucrativo. As editoras de jornais no passado desfrutavam de um virtual monopólio sobre o mercado de classificados. Porém, elas vêm enfrentando concorrência cada vez mais séria, de parte de sites como o eBay.

Os especialistas não sabem ao certo se os anúncios online gratuitos e inovações que permitem aos vendedores de toda espécie de artigo, de carros a confeitos, atingir uma audiência maciça via Web expandirão os negócios de todos ou infligirão sérios danos aos atuais líderes desse setor. O eBay, mais conhecido por seu site de leilões, gastou mais de US$ 850 milhões na aquisição de três empresas de classificados online, nos Estados Unidos e no exterior.

No terceiro trimestre de 2004, o site de leilões online adquiriu uma participação de 25% no Craiglist.org, um serviço de classificados gratuitos, de San Francisco, que serve a cerca de 100 cidades em todo o mundo. O eBay recentemente lançou sites de classificados grátis em sete mercados internacionais, entre os quais Alemanha, Japão e China. Os novos sites, que portam a marca Kijiji (http://kijiji.com), imitam a Craiglist.

Decisões como essas vêm causando confusão entre os jornais, muitos dos quais reagiram com versões online de suas publicações – incluindo classificados. “É uma briga de foice”, disse Peter Zollman, fundador e sócio principal da consultoria Classified Intelligence. “Acredito que a ameaça seja muito real para os jornais, porque os anúncios classificados são muito lucrativos.”

A Associação de Jornais dos Estados Unidos estima que o mercado de classificados em papel cresça em 5,2%, para US$ 17,4 bilhões nos Estados Unidos, este ano. Mas a fatia dos jornais nesse mercado vem caindo em meio à intensa competição de diversos tipos de adversários, entre os quais sites, empresas de busca na Internet, estações de rádio e TV, publicações especializadas e serviços de páginas amarelas, disse Zollman.

As receitas com publicidade em papel, segundo a Reuters, caíram de 2001 a 2003, quando o mercado total teve um desempenho razoável. Entretanto, elas estavam em alta até 1995, quando a Web se tornou popular entre o público. O Kelsey Group estima que o faturamento total com classificados na Web nos Estados em 2004 foi de US$ 1,95 bilhão, excluindo o eBay e incluindo sites operados por jornais.

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