Internet vira terreno fértil para boataria sobre atentados

Sérgio Dávila da Folha de S.Paulo, em Nova YorkAquele senhor de face ossuda, olhos amendoados e gestos finos que acaba de passar ali é Osama bin Laden. O terrorista saudita vive hoje em dia em Salt Lake City, cidade no Estado de Utah, no noroeste dos EUA. Sua escolha é óbvia: na maior concentração de mórmons do mundo, um homem casado com várias mulheres não vai chamar atenção.Esta é uma das milhares de histórias falsas envolvendo o ataque terrorista de 11 de setembro e seus desdobramentos que continuam inundando a internet um ano depois. Tanto que o site www.snopes.com segue com mais atividade do que nunca, recebendo milhares de visitantes por dia.O endereço foi criado pelo casal Barbara e David Mikkelson a princípio para esclarecer o que havia de verdade e mentira em diversas lendas urbanas que encontraram na rede o habitat ideal para reprodução, como a clássica história do rapaz de Buenos Aires que teve o rim retirado por uma garota de programa (mentira).Acontece que, em setembro do ano passado, tiveram de criar uma subseção apenas para histórias relacionadas ao ataque, que só fazem crescer. As mais recentes envolvem a rede de lojas de conveniência 7-Eleven, motoristas de táxi nova-iorquinos e o perigo de beber Coca-Cola.Segundo Barbara, a da Coca é a mais forte atualmente, mas também cresceram muito nos últimos dias as correntes de e-mails do tipo “Não entre em metrôs no dia 12” ou “não passe por viadutos no dia 24”.A cada e-mail que recebe, o casal dedica o tempo que for necessário até achar as origens do boato ou (raras vezes) comprovar sua veracidade. No caso específico das correntes falando do perigo dos metrôs, tudo começou há alguns anos, quando os vilões ainda eram o IRA e o alvo, o sistema de transportes de Londres.”Dar a “dica” para amigos faz com que o remetente pense estar conseguindo de alguma maneira combater efetivamente o terrorismo, que na verdade acontece sem aviso e é virtualmente impossível de ser previsto”, disse Barbara à “Salon” (www.salon.com). “A intenção é de fundo mais psicológico do que um ato de má-fé.”A história da Coca-Cola é emblemática. O site apresenta três exemplos de e-mails recentes com teor parecido e variações coadjuvantes: enquanto paga sua conta, um terrorista amigo avisa uma garçonete de uma rede de fast-food (às vezes lanchonete) para não beber Coca-Cola (às vezes Pepsi) depois de 11 de setembro de 2002.No caso da 7-Eleven, a acusação é a de que a rede de lojas, um equivalente norte-americano do Bradesco, presente em virtualmente todas as cidades dos EUA, seria na verdade de propriedade de pessoas ligadas a Osama bin Laden ou seus parentes.Quanto aos taxistas nova-iorquinos, os boatos apontam para a absoluta ausência deles nas redondezas do World Trade Center naquela manhã do ataque, o que demonstra que a categoria, largamente dominada por imigrantes do Oriente Médio, sabia com antecedência dos sequestros.Tudo mentira, claro.

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