Internet, uma mídia feminista


21/05/2006

A internet é o espaço mais democrático que a criatividade humana desenvolveu ao longo de sua história. Uma de suas características mais marcantes é ter colocado as pessoas em pé de igualdade quando se trata de adquirir, compartilhar ou disseminar conhecimento. Para as feministas, é o esboço mais bem acabado de um mundo em que falam mais alto a competência e o empenho. Basta observar a força da presença feminina nos grupos de discussão nas mais diversas áreas de interesse da sociedade moderna.

As regras do teatro social que demarcam o palco estabelecendo as posições dos atores conforme o gênero, a raça, a origem social e o saldo bancário, simplesmente desvanecem quando se está no mundo virtual. Os internautas são, antes de tudo, gente disposta a se comunicar.

Para as mulheres, que ainda batalham no sentido de serem enxergadas como iguais, a internet é ferramenta preciosa. Significa um novo patamar de comunicação verdadeiramente libertária, que escapa dos filtros sociais já entupidos de velhos preconceitos. Considerando verdadeira a premissa de que a comunicação é a raiz dos avanços, positivos ou não, da humanidade e que o livre exercício desse direito foi sistematicamente escamoteado à mulher, a imensa janela aberta pela web merece cuidadosa atenção. É por ela que entra o mais importante sopro de renovação das relações humanas e sociais que o planeta testemunhou.

Hoje as pessoas podem reunir-se em grupos específicos para falar sobre economia, filosofia, arte, cuidados com a saúde, política, sexo, amor e carreira profissional. Não precisam obrigatoriamente se deslocar para ter acesso a informações importantes. Este é um fator fundamental para as mulheres cujo tempo precisa ser dividido entre múltiplas atividades. Ao participar desses grupos é possível vivenciar a liberdade de expressão, emitir opiniões e expor a sensibilidade feminina ao crivo de realidades muitas vezes surpreendentes.

É importante lembrar que os grupos de discussão tendem a cada vez mais gerar resultados concretos. Idéias inovadoras não raro saltam desse chamado universo virtual, adquirem corpo e encontram adeptos na dura realidade que bloqueia avanços essenciais ao bem-estar geral. É nesse espaço que as ongs, outro campo de marcante e decisiva presença feminina, disseminam projetos e esperança de caráter plural.

A interatividade permitida pelos fóruns de discussão demonstra o quanto os grandes veículos tradicionais de mídia ainda suprimem as questões mais incômodas quando se trata de abordar a instigante participação feminina no cotidiano do mundo. A verdadeira explosão dos blogs na internet, com expressiva participação de mulheres, reforça a tese de que a história delas não tem sido contada, ou entendida, corretamente. A internet também dá voz, dá vez, libera a pista para a decolagem.

Tudo isso ainda é muito novo, e, como toda novidade, ainda está disponível a uma pequena parcela da população mundial. No caso do Brasil e outros países pobres ou emergentes impregnados pela desigualdade social, o acesso em massa ao mundo digital talvez demore mais que o desejado. Enquanto se desenrola esse processo, que as mulheres percebam as oportunidades em jogo, busquem alternativas e aprendam a utilizar esta ferramenta tecnológica. É preciso preparar o terreno para novas conquistas, aproveitar o livre trânsito do pensamento em defesa das boas causas. A internet est> á aí, à disposição. Esta é a mídia de características democráticas jamais permitidas. Feminina por definição e plural por vocação, a internet é o veículo perfeito para a viagem da humanidade em direção ao futuro.

Priscila Tortorette é vice-presidente de planejamento da A1.Brasil e uma das “fundadoras” da publicidade digital no país. À frente da agência, a publicitária atende a clientes como Bridgestone, Zoomp, Costa do Sauípe, It Midia e Vicunha, entre outros.

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