Incríveis mudanças em 2006


07/01/2006

“Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto. Eu tô voltando”. Para o pessoal mais maduro que lembra da música do Ivan Lins, informo que a “meia dúzia de Brahma” foi suspensa por tempo indeterminado, afinal, terminaram as férias. E nos dez dias pelos quais me deliciei nas areias de Floripa, foram várias brahmas. Agora vamos dar um tempo na diversão e retomar o trabalho. Mas não será por muito tempo: ainda este mês eu e meu filho fazemos aniversário, o que é um excelente motivo para mais alegria.

Mas, por falar em mais alegria, nos primeiros dias depois que retornei, tentando atualizar-me das notícias finais do ano, com todas suas estatísticas e resumos, e também ficando a par de novidades fresquinhas de 2006, reforcei os sentimentos positivos em relação ao nosso mercado. Ou será que ainda existe alguma dúvida quanto à afirmação da internet na vida dos brasileiros?

Além de mais novidades, na maior parte das vezes bastante positivas, sobre o gigante Google, as informações colhidas em diversos sites e newsletters, me causaram uma diferente percepção em relação aos outros inícios de ano. E olha que já foram vários. Ao menos nesta primeira semana, está me parecendo que 2005 não acabou e que o mercado continua aquecido como nunca vi antes em outros janeiros.

É senso comum que nos meses do verão, apesar do calor excessivo, a economia desaquece, as empresas e os negócios andam em ritmo mais lento, as decisões e novos investimentos são transferidos para março. Ou abril. Afinal, são meses de férias, descanso, lazer, relaxamento… É claro que para o mercado que vive do verão, acontece exatamente o contrário. É de dezembro a fevereiro que hotéis, agências de turismo, restaurantes, pousadas e todo comércio de produtos relacionados com o verão, como bronzeadores e sorvetes, vivem seus melhores momentos.

Mas não em 2006. Pelo menos é o que tudo indica nessa primeira semana do ano

Noto que o dinamismo proporcionado pela internet como meio de informação e comunicação já há alguns anos, agora se alastra e alcança os negócios e a publicidade também.

Nos dias próximos ao Natal e ao Reveillon, ao contrário do que eu pensava, as pessoas não ficaram envolvidas apenas com o ócio, comemorações, compra de presentes, retrospectivas e resoluções de ano novo. Estranhamente, a vida continuou. Novos negócios continuaram a ser bolados e planejamentos comerciais e publicitários mantiveram-se em pauta. A quantidade de contatos que recebemos em nosso site, durante esses dias, realmente suspreendeu. Foram diversas solicitações de propostas para criação de sites e lojas virtuais (o comércio eletrônico chehgou de vez!), projetos para publicidade na web (onde os sites de busca são a mior necessidade e o e-mail marketing definitivamente não morreu), envio de currículos e contatos diversos com votos de felicidade, críticas e elogios.

Em um primeiro momento não consegui compreender qual seria a razão para essa mudança de atitude. Sempre pensei que a inércia que o verão causa nas pessoas e, consequentemente nos negócios, era prejudicial. Nunca vi com bons olhos o verão prolongado, acrescentado do carnaval e logo em seguida da Páscoa. Claro que estou avaliando de uma forma profissional, pois no tempo de estudante, antes de perder a inocência, quem não adorava os feriadões?

Mas, continuando, por todo esse tempo mantive a esperança de ver o Brasil amadurecer e mudar isso. Férias, feriados ou feriadões são importantes para o estudante e para o trabalhador e podem ser realmente ótimos. Mas o tempo não para. E a economia também não deve parar. Sempre achei que as empresas não podiam entrar nessa onda e funiconar em modo de descanso.

Pois ontem, vendo um jornal de fim de noite na TV, compreendi o que está acontecendo. Como já dizia minha mãe há muito tempo: é o exemplo. O bom exemplo! Só o bom exemplo é capaz de ensinar e mudar costumes. Estou falando da decisão dos congressistas de votar a redução no tempo de recesso parlamentar de 3 para 2 meses apenas, e dessa forma acabar com a “convocação extraordinária” ou, como era chamada antes, “esforço concentrado”, mantendo somente um mês de recesso em julho e outro no verão. Afinal, 3 meses de férias acrescidos de semanas de 3 dias (quorum em Brasília somente de terça a quinta) durante o resto do ano, apesar de ser uma enorme carga horária e um trabalho exaustivo, causam a necessidade de continuar os trabalhos em ritmo de “hora extra”. E quem não gosta de hora extra? Pois meus amigos, a surpresa não terminou. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), disse que o Congresso Nacional precisa acabar com “essa excrescência” do pagamento em dobro da convocação extraordinária. E nossos valorosos deputados e senadores, num arroubo de vergonha e moral, resolveram devolver os dois salários extras de R$ 12.847,00. Porém, até ontem, apenas 5 senadores e 47 dos 512 deputados abriram mão da “ajuda de custo”.

Quero aqui, neste momento, afirmar perante todos que, se se todas essas mudanças realmente acontecerem, vou passar a acreditar também em Papai Noel e coelhinho da Páscoa.

Ou será que tudo isso é apenas reflexo do ano eleitoral? E depois de cohidos os votos, tudo volta ao normal?

Ricardo Prates Morais é editor da emarket News e consultor da emarket (www.emarket.ppg.br), agência de marketing e publicidade online.

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