E-commerce e o dever de casa da pequena empresa

 

Dez empresas ficam com 75% do faturamento, mas há espaço para pequeno e nichos especializados. Para serem bem sucedidos, esses negócios precisam ser bem construídos.

Por Sandra Turchi

Cada vez mais temos observado a preocupação de grande parte das empresas em fazer negócios via web; porém, ainda assim, a quantidade de empresas que efetivamente está conseguindo fazer isso é muito pequena.

Se levarmos em consideração que apenas dez empresas são responsáveis por aproximadamente 75% do faturamento do e-commerce no Brasil podemos pensar que não haja mais espaço para novos negócios. Grande engano, pois a web oferece a possibilidade de atender a nichos de mercado bastante específicos, permitindo atender a públicos muitos segmentados, que demandam conhecimento especializado no momento da venda.

As micro e pequenas empresas, que ainda estão sem saber o que fazer, podem “testar” o e-commerce com investimento muito baixo, participando de sites que são integradores de lojas, como num shopping.

Com isso os custos são rateados, permitindo estar on-line, vendendo, ou seja, tendo uma experiência com essas ferramentas. Esses “shoppings” cobram um valor similar a uma taxa de aluguel ou condomínio, dessa forma o lojista pode verificar se consegue interagir no mundo on-line, se tem estrutura para manter a loja no ar e atualizada, e ainda medir os resultados.

Em geral, a operação para estar presente nesse tipo de portal de compras é muito simples, não requer uma grande especialização. Obviamente, esse modelo não permite muitas customizações e adequações, mas mesmo assim, é uma ótima alternativa para quem está começando, a preços realmente muito atrativos.

O ideal mesmo é buscar criar vários canais de acesso para seus clientes. Como exemplo há lojas que permitem comprar on-line e retirar o produto diretamente na loja física, isso serve para os mais céticos que ainda não se sentem confortáveis em realizar todo processo via web.

Buscadores

Mas o “X” da questão não está somente em ter uma loja ou estar on-line. É fundamental ser encontrado por aqueles que demandam esse tipo de produto e isso ocorre se a empresa for localizada por buscadores, como o Google, hoje o principal canal de pesquisa que antecede as compras de quase tudo. Isso sim demanda conhecimento especializado e bastante trabalho, além de novos investimentos, que podem ser bem superiores ao investimento no próprio e-commerce.

Isto vale para produtos ou serviços. A importância de ser localizado pelos buscadores é crucial para o sucesso ou fracasso dos negócios. Para citar um exemplo de serviço, que é um setor menos comentado do que outros, o negócio pode ser uma assistência técnica de eletrodomésticos. O site da empresa deve indicar claramente se ela é autorizada de que fabricantes, sua localização, tempo de resposta, tipo de atendimento, bem como horário de funcionamento.

Por que tudo isso? Pois esses são pontos muito relevantes para quem estiver procurando esse tipo de serviço e será importante isso aparecer rapidamente para ele.

Entenda o cliente

É preciso tentar pensar com a mente do cliente (e isso é um ponto óbvio em marketing, que poucas empresas fazem!). O que quero dizer? Não é necessário realizar grandes, e caras, pesquisas de mercado para identificar qual é o processo de decisão do cliente. Basta perguntar diretamente a alguns deles para descobrir qual o caminho que percorrem até chegar à sua loja.

Por exemplo, falando desse caso, como a pessoa vai procurar nos buscadores a tal assistência técnica? Em geral ela digitaria “assistência técnica da marca tal”, e poderia complementar colocando a cidade ou o bairro para refinar a busca. Com isso, surgirão nas primeiras páginas, como “resposta”, empresas cujos sites estiverem bem construídos e que fizeram sua lição de casa adequadamente.


Sandra Turchi
(sturchi@acsp.com.br) é superintendente de marketing da Associação Comercial de São Paulo e coordenadora do curso Estratégias de Marketing Digital (férias ESPM). Mantém um blog e um perfil no Twitter.

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