Concorrentes tentam minar liderança do Orkut no Brasil

16/07/2008

Quando se fala em rede social no Brasil, o primeiro nome que vem à cabeça é o Orkut. Não poderia ser diferente. Todos os meses, quase sete em cada dez usuários de internet residencial do país acessam o site de relacionamento do Google pelo menos uma vez. No último ano, a audiência do Orkut cresceu 30%. A interação e as conversas entre os usuários são o coração e o sangue que mantêm vivo esse tipo de site, e nesse quesito os internautas daqui são imbatíveis. Além de passar mais horas online do que qualquer outra nacionalidade, os brasileiros são líderes mundiais em tempo de navegação nas redes de relacionamento. Também estão entre os mais jovens, segundo Alexandre Magalhães, gerente de análise de mercado do Ibope/NetRatings, empresa que faz o principal levantamento de audiência de internet. Traduzindo: o Brasil é uma mina de ouro para as redes sociais — e o resto do mundo percebeu. O Facebook, maior rede social do planeta, acessada por cerca de 120 milhões de pessoas, terminou em junho um processo de tradução para o português. A rede americana LinkedIn, com foco no ambiente profissional, vai lançar uma versão para o Brasil em breve, e a novata Sonico, da Argentina, abrirá um escritório no país no segundo semestre. O Orkut, que até agora reinou solitário, vai enfrentar competição por todos os lados.

Desbancar o líder será uma tarefa dificílima, pelo menos no curto prazo. A rede tem no país mais de 50% dos seus 27 milhões de usuários, e se beneficia do efeito de rede: trocar o Orkut por outra rede só faz sentido se todos os seus amigos forem junto, o que torna o custo da mudança muito alto. Mas os novos competidores têm força, dinheiro e, ao contrário do Google, são especialistas em redes sociais. Facebook e MySpace têm alcance global e são os dois nomes mais conhecidos mundialmente nesse segmento. Mas quem vem apresentando os melhores resultados, de acordo com os dados do Ibope/NetRatings, é o quase desconhecido Sonico, da Argentina. Com menos de um ano de idade, o serviço criado pelo economista Rodrigo Teijeiro teve um crescimento formidável entre os usuários brasileiros. A versão em português saiu há apenas cinco meses e o Sonico já conta com 3,9 milhões de usuários no país. Nascida como uma empresa de cartões virtuais, a Sonico se converteu numa rede de relacionamentos e já aparece como a segunda mais visitada pelos brasileiros. O sucesso foi tão grande que a companhia terá um escritório brasileiro no segundo semestre. Para o diretor de comunicação Juan Pablo Sueiro, um dos motivos foi aprender com os erros do líder. Uma equipe de 40 pessoas checa todos os novos perfis. Fotos de animais ou celebridades numa página pessoal, por exemplo, são vetadas. “Credibilidade e privacidade são fundamentais para que os usuários recomendem uma nova rede para seus amigos”, diz Sueiro.

O líder mundial Facebook também vem crescendo rapidamente por aqui graças a um sistema mais sofisticado. Além de montar listas de amigos e participar de comunidades, o Facebook permite que seus usuários escolham entre mais de 24 000 pequenos programas para instalar em seus perfis. Criados por desenvolvedores independentes, esses miniaplicativos podem ser jogos, ferramentas de comparação do gosto musical ou maneiras divertidas de interação com os amigos. Embora ainda seja relativamente desconhecida dos usuários brasileiros, a experiência mais completa do site americano pode ser uma ameaça real ao Orkut, diz Luli Radfahrer, professor de comunicação digital da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. “Muitas das novas redes que estão surgindo são apenas cópias, mas o Facebook traz algo realmente novo: os aplicativos”, afirma Radfahrer. O Google anunciou no final do ano passado que o Orkut também teria aplicativos criados por programadores independentes, mas a estréia da novidade já foi adiada pelo menos duas vezes nos últimos dois meses. Uma nova data foi marcada para o dia 10 de julho — ainda assim, o lançamento será gradual, com conclusão prevista para o final do mês. Ou seja, vai levar um bom tempo até que haja aplicações variadas e, acima de tudo, com qualidade.

Dono da maior audiência do Brasil, o Google não ganha um centavo sequer com o Orkut. Mas alguns concorrentes têm, sim, um modelo de negócios claro para rentabilizar a audiência das redes sociais. Nesse sentido, o mais inovador deles é o LinkedIn, rede voltada para ser um repositório online dos contatos criados no ambiente de trabalho. Além das receitas com publicidade, a idéia é criar modelos de cobrança para empresas que queiram recrutar funcionários na rede ou publicar anúncios de vagas. Usuários mais devotados podem pagar para ter uma conta Premium, que dá direito de fazer pesquisas mais completas, por exemplo. Com um claro modelo de negócios, o serviço criado pelo multimilionário americano Reid Hoffman já recebeu quatro rodadas de investimento de capitalistas de risco, que totalizaram 80 milhões de dólares — o que levou a avaliação do serviço a 1 bilhão de dólares. Embora seja um serviço de nicho, o LinkedIn deve capturar um tipo de usuário que está fora do Orkut por achar que um perfil na rede não é condizente com a imagem no trabalho. O site ainda não foi traduzido para o português, mas cerca de 350 000 brasileiros já criaram seu perfil. “Podemos explorar um mercado potencial de 20 milhões de profissionais no Brasil”, diz Florencia Pettigrew, gerente de marketing internacional do LinkedIn.

Por Denise Dweck

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