Comércio eletrônico: caiu na rede é venda

14/08/2008

No lugar de filas quilométricas para pagar e dificuldade para arrumar vaga no estacionamento, o conforto da cadeira do computador de casa. Não é à toa que o comércio eletrônico vem crescendo quase 50% a cada ano no Brasil. Só em R$ 2007, o varejo on-line movimentou R$ 6,3 bilhões.

Rodrigo Borges, sócio e fundador do maior site de comparação de preços na Internet, estará em Londrina na sexta-feira para uma palestra durante a Feira do Empreendedor, a partir das 20h no Centro de Eventos. Em entrevista à FOLHA, ele fala sobre o bom momento do setor e dá dicas de como as empresas podem tirar proveito da grande rede para alavancar as vendas.

Este bom momento do e-commerce está relacionado à entrada da classe C na internet, ou as classes A e B ainda predominam?

Não tem um fator único que colaborou para esse bom momento. Vai desde a boa comunicação com o usuário até toda logística para atender bem o cliente, entregando o produto no prazo, sem avarias, de acordo com o que é anunciado. Claro que, com o aumento de crédito, a penetração de internet crescendo na classe C, a base aumenta muito e isso ajuda a acelerar o crescimento de vendas.

Podemos dizer que a era do medo de comprar pela Internet já passou?

Para 90% das pessoas já passou. Existe muito mais tranquilidade. Alguns produtos as pessoas ainda têm receio de comprar, como roupas, sapatos, por não ter como provar e ver se vai vestir bem. Mas quanto à confiablidade, tanto os grandes varejistas que se estabeleceram na Internet quanto os pequenos que prestaram um bom serviço e criaram um histórico positivo de vendas ajudaram a conquistar o cliente e eliminar dúvidas.

Com relação aos produtos, havia uma preferência por objetos de preço baixo, como DVDs, livros. Isso tende a continuar ou os produtos mais caros vão ganhar espaço?

Muitos produtos vendidos hoje são de eletrônicos e informática. São produtos de tamanho menor mas valor agregado alto. Até 2002, os CDs e livros predominavam. Eram usuários que estavam arriscando, testando como era comprar pela Internet usando um valor baixo. Se não entregassem ou desse algum problema, não perderia tanto dinheiro.

Como as empresas podem tirar proveito da Internet?

Entender o que o cliente quer é super importante. Além disso, é fundamental oferecer um prazo de entrega competitivo, pensar não só no valor da compra mas no parcelamento, ainda mais agora com a entrada da classe C no mercado como foi mencionado anteriormente. Outras questões como navegabilidade do site e informação que se apresenta para o usuário também têm importância. Se você deixa de colocar determinada informação na internet, o consumidor pode deixar de comprar por isso e opta por adquirir o produto pessoalmente.

Na internet é mais complicado para fidelizar o cliente, devido às várias opções que ele têm?

A melhor forma de fidelizar o cliente é a prestação de serviço. Uma vez que você capturou o cliente, fez a venda e ele entrou no seu banco de dados, não basta tratá-lo apenas como mais um número. Precisa oferecer produtos semelhantes ao que ele comprou da última vez, dar mais opções. Quanto ao preço, não é por dez reais de diferença que eu vou deixar de comprar no varejista que eu conheço e me atendeu bem.

Essa nova modalidade de ‘pechincha’ na internet veio para ficar?

É uma ferramenta consagrada no mundo inteiro, tanto do lado dos varejistas, que vêem os sites como gerador de receita, quanto dos clientes, que passam a ter cada vez mais informação para tomar uma decisão de compra consciente. Hoje o consumidor deixa de ser influenciado apenas pelo ponto de venda e passa a ser cada vez mais ativo no momento da decisão de compra.

Marco Feltrin

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