Cisco vê onda de inovação iminente

14/09/2007

A base será a web 2.0, com impulso da colaboração eletrônica e virtualização. A tecnologia da informação deverá levar a uma nova era de crescimento de produtividade das empresas, como aconteceu na passagem do milênio, defende o presidente da Cisco Systems, John Chambers. E isso será impulsionado por tendências como a web 2.0, colaboração eletrônica e virtualização do hardware.


Executivo de uma das mais valiosas empresas do mundo, de quase US$ 200 bilhões, Chambers falou a 10 mil pessoas anteontem em São Francisco (EUA), durante evento da VMware.
Segundo ele, o mundo está diante da iminência de uma segunda onda de produtividade baseada em inovações, que levará a uma expansão do índice de produtividade das empresas em 3% ao ano de 2007 a 2010.

A base de tudo será a chegada da web 2.0 nas empresas. O conceito, criado pelo jornalista americano Tim O’Reilly, não significa uma nova tecnologia, mas sim a aplicação na internet de conceitos e ferramentas para incentivar a colaboração digital entre pessoas. Exemplos são a enciclopédia virtual Wikipédia, escrita pelos próprios usuários, o site YouTube, para armazenar vídeos, e comunidades sociais como Orkut, MySpace e Facebook. Blogs, wikis (onde todos contribuem com conteúdo). A produtividade baseada na web 2.0 deve permitir a criação de novos serviços e novos modelos de negócios, segundo Chambers. A grande diferença da atual onda em relação à do fim dos anos 90 é que as inovações apareceram primeiro para o consumidor final e depois serão adaptadas ao uso corporativo. Ocorreu o contrário na primeira onda, com email e comércio eletrônico sendo utilizados em primeiro lugar pelas empresas. Era previsto, em 1997, expansão da produtividade americana entre 3% e 5% por ano e 48% disso seria creditado à TI, que naquela época vivia uma fase baseada na melhoria de interação e comunicação. A previsão se confirmou com ampliação de 5% anuais.

Mergulhada na onda atual, a Cisco passou os últimos meses se adaptando aos novos conceitos. “Foram 9 meses. Nada como os 3 anos que se leva para instalar um sistema de gestão ( ERP). Agora mudamos a interface com os clientes. Em 2 anos, a comunicação com parceiros será toda virtual, propiciando velocidade aos negócios”, diz. “Costumamos levar 45 dias para fazer uma aquisição de empresa. A última durou oito dias.”
Poucos sabem como realmente aproveitar a tendência. “As pessoas nas empresas entendem a importância da web 2.0, mas ainda não sabem o que fazer”, comenta o vice-presidente de produtos e marketing Leo Brunnick, da Vignette, especializada em software para as corporações aproveitarem a internet.

Com a web 2.0, o desafio atual é ajudar as empresas na extração dos maiores benefícios da tendência.
Ao acompanhar as
ações na área de perto, Brunnick cita os setores de mídia e telecomunicações como os mais avançados e o governo como um dos principais beneficiados. Os dois primeiros acordaram para a tendência ao perceber que pode ser uma importante forma para ganhar com os novos serviços que vêm lançando.
“Essas ferramentas ajudam o segmento de mídia a se monetizar na internet. Ele pode vender microconteúdo e também ganhar mais anúncios.”
Para as empresas de comunicações é a forma de entregar os serviços que prometem ser o futuro do setor, à medida que o crescimento de receita com voz se estabiliza.
No Brasil, entre os clientes da Vignette estão a Rede Globo, o Terra, a Editora Abril e operadoras telefônicas como Claro, Brasil Telecom e Oi.


Exemplos de instâncias públicas que já fazem bom uso das inovações do momento são a agência aeroespacial americana, a Nasa, com cerca de 10 bilhões de usuários cadastrados em seu site, e a prefeitura de Nova York.
Pela visão de processos internos, a web 2.0 dá exemplos de interação e métodos de reter o conhecimento. “Em redes sociais e interação, há muito sendo feito com o objetivo de aumentar a produtividade e passar experiências de
administração, por meior de wikis, blogs, feeds”, diz o executivo.

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