Banners e pop-ups têm os dias contados na internet


19/01/2006

Os banners convencionais (aquelas bandeirolas de propaganda de produtos e serviços que aparecem ao lado das telas de internet) e os pop-ups (aquelas invasões nas telas) estão com os dias contados. O publicitário Sergio Magnaini, diretor de criação para internet da agência Almap/BBDO, afirma que teve de gastar horas de trabalho para o lançamento do CrossFox, o modelo off-road da Volkswagen, para fugir desses modelos que se tornaram símbolos da publicidade on-line.

“O brasileiro que navega na internet é exigente, está a par das novidades que acontecem na rede mundial de computadores e descarta idéias convencionais, como banners sem interatividade e os pop-ups, para os quais usa bloqueadores.”

O resultado do esforço foi a criação de um site, o www.legendofomaha.com.br, onde um apresentador, nos moldes de Vincent Price, com o nome de Dr. Maxwell Adams, falava de animais e de aventuras na selva. Só depois de vários filmes, jogos interativos e curiosidades é que ele apresentava o CrossFox.

Já Fernanda Romano, ex-diretora de criação de internet da DM9DDB, ajudou a agência a conquistar o Grand Prix de Internet do Festival Internacional de Publicidade de Cannes 2005 com ousadas campanhas, como a da cola Super Bonder, que levou leão de ouro. Mostrava dois rapazes tentando manter colado um monitor de computador na parede. Na tela do próprio computador, recebiam e-mails de incentivo, transmitidos por internautas a partir do próprio site criado pela empresa para difundir seu produto.

Magnaini explica que são essas soluções inusitadas as que mais conquistam o internauta, “porque ele não espera por isso e sente prazer em repassar o que está vendo para outros internautas, dando vida ao chamado marketing viral”. Nestes casos, cria-se um ambiente em que só depois a marca aparece, como uma pegadinha.

Para Pedro Cabral, presidente da Agência Click, uma das mais premiadas da internet mundial, a missão da propaganda é propagar idéias, e nas comunidades virtuais elas só ganham espaço quando o internauta as assume para si. “O internauta quer participar. Ele já descobriu que, na internet, sua opinião e suas fotos são mídia, e é este movimento que as empresas começam a perceber, pois ele pode exercer o papel de propagador de uma marca.”

O presidente da Giovanni, FCB, Paulo Giovanni, também está convencido da importância dos internautas para as marcas. Tanto que sugeriu à Fiat a criação de um site, nos moldes de um fotolog (álbum de fotos virtual), onde os usuários dos serviços autorizados da Fiat apareciam em diferentes poses como o mascote da montadora, o Dino.

Dados da PricewaterhouseCoopers mostram que a publicidade e o comércio online estão crescendo (ver tabela). Projetos como o do Google, que visam dar suporte à criação e manutenção de novos sites, por meio do direcionamento de publicidade online, após identificação do público, estimulam esta mídia.

No Brasil, apesar do pequeno número de internautas em relação à população – 30 milhões, dos quais 12,5 milhões residenciais – , as horas de navegação superam a de grandes países, como EUA, França e Japão. O coordenador de pesquisas do Ibope/NetRatings, Alexandre Magalhães, diz que é isso que torna esse público exigente, estimulando a criação das agências de publicidade. Em troca, elas abatem vários leões no Festival de Cannes.

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