Banda larga pode dobrar no país em 2004


17/12/2003

Ao fazer uma avaliação do futuro da internet rápida em território brasileiro, Daniel Cunha, consultor associado da Deal Maker, avalia que o setor tem um potencial interessante de crescimento. “Se 2004 for um ano bom para a economia do país, não vai ser uma surpresa dobrar o número de usuários no período”, avalia.

Para Cunha, a principal evidência de que a banda larga está alcançando uma fase de maturidade no país vem do próprio número de assinantes locais, o qual atinge uma marca próxima de 1 milhão. “Mesmo com a economia brasileira não crescendo conforme o esperado nos últimos anos, as operadoras conseguiram alcançar o número de assinantes planejado inicialmente”, destaca o consultor. No entanto, o especialista lembra que os preços dos serviços de internet rápida como ADSL – o mais popular deles – ainda são altos no país, criando uma barreira para disseminação das soluções.

Outro problema do setor, aponta Cunha, é a recente estratégia das operadoras brasileiras de tentarem reduzir os custos de interconexão ao restringirem o tráfego do usuário final com pacotes. O caminho, que ficou evidenciado pelos novos planos de acesso oferecidos pelo Speedy, da Telefônica, não devem atender às necessidades dos assinantes a longo prazo, prevê o analista.

Para basear sua afirmação, ele lembra que as teles estão trabalhando com uma agressiva campanha de marketing, demonstrando que esse novo modelo de franquias permite aumentar a largura da banda nos planos básicos ADSL com preços mais interessantes. “Mas quando o cliente ultrapassar esse limite contratado, perceberá que o custo vai ser muito mais alto”, prevê, completando: “quando a tele restringe o uso para o assinante residencial para não impactar a oferta para o corporativo, ela está dando um tiro no pé. Pois esses clientes finais vão buscar, inevitavelmente, alternativas.”

A tendência, acredita o consultor, deve acabar estimulando o desenvolvimento de meios alternativos de conexão à internet no país, com a criação de redes paralelas a das grandes carriers e o impulso dos pequenos provedores. “A tendência é que o usuário brasileiro tenha um número maior de opções. Não dependendo exclusivamente da rede fixa”, avalia Cunha. Uma concorrente da operadora local, prevê o analista, deve ser a empresa de TV a cabo. “Essas companhias montaram redes incríveis no país e é natural que comecem a vender infra-estrutura, afinal, elas têm de amortizar os altos investimentos”, conclui.

Tatiana Americano

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