A nova ordem do mercado digital


21/01/2004

Empresas de TI convergem tecnologias e ganham espaço de tradicionais fabricantes de eletroeletrônicos. A convergência digital invade o consumo e vai além do aparelho celular com uma minicâmera fotográfica ou com um browser para acesso à web. Atinge TVs, equipamentos de som e eletrodomésticos de todos os tipos, como geladeiras e microondas. E muda o mercado de bens de consumo eletrônicos. Empresas de Tecnologia da Informação (TI) usam seu conhecimento para competir de igual para igual com fabricantes tradicionais.

Várias provas disso foram dadas na feira Consumer Electronics Show (CES), realizada na semana retrasada em Las Vegas, Nevada (EUA), evento que antecipa as tendências do setor e destaca o uso da tecnologia no dia-a-dia dos consumidores. Lá, o que se viu foram as grandes empresas de TI ganhando uma posição de destaque diante das tradicionais marcas de eletroeletrônicos, que também correm para se adaptar às mídias digitais.

Além da Apple, que vem revolucionando o mercado de música digital com a nova geração do iPod, que já tem dois milhões de unidades vendidas e cerca de 30% de mercado, segundo o especialista de sistemas da Apple, Tiago Ribeiro, muitas outras empresas com tradição no mundo da informática mostraram suas garras. O sucesso do iPod de 16 GB, que custa US$ 299 e tem capacidade para armazenar até 3 mil músicas, alavancou o site de download de músicas digitais iTunes, lançado no primeiro semestre de 2003 nos Estados Unidos. Cada música custa US$ 0,99 no site. Até semana passada, segundo Ribeiro, foram contabilizados 30 milhões de downloads.

“Neste ano, a Apple comemora ainda os 20 anos do Macintosh, primeiro computador pessoal do mercado”, lembra o executivo. O computador tinha um processador Motorola 6800 de 8 MHz e 125 kbytes de memória RAM.

Para Ribeiro, a presença de marcas de TI inaugurando mercados digitais é uma conseqüência do fato dessas empresas investirem muito em pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Trata-se de uma evolução natural”, diz, acrescentando que a Apple gasta até 12% da receita anual em P&D. A Motorola é outra que vem desembolsando valores altos em desenvolvimento tecnológico. Desde 1998, a média dos investimentos em P&D correspondem a 12% da receita global da empresa. A empresa, que já foi referência em rádio automotivo e hoje é uma das líderes no mercado de celulares, aposta literalmente na convergência das mídias. Durante a CES, lançou o SBG 1000, codificador de TV a cabo, que é totalmente convergente. Conta com sistema para home theater, DVD Player, modem para internet rápida, dispositivo para uso de rede Wi-Fi (Wireless Fidelity), com firewall embutido e com capacidade para conectar uma rede de até 253 PCs. O avanço da tecnologia permite a queda no preço desse tipo de equipamento, que custa cerca de US$ 200 nos Estados Unidos. “A aposta da Motorola é no forte crescimento da banda larga, que cresce junto com a o desenvolvimento das mídias digitais”, diz o gerente de marketing e desenvolvimento de negócios de banda larga para a América Latina, Roberto Schigueo Suzuki. Outra aposta da Motorola é no crescimento da TV Digital, tanto que a companhia, assim como a HP, já anunciaram suas intenções de fabricarem o televisor digital. “Não temos ainda previsão de quando isso poderá chegar ao Brasil, pois estamos iniciando os estudos e projetos no exterior”, informa Suzuki. A feira, que contou com cerca de 2,2 mil expositores, teve como principal aposta a integração do micro à sala de estar. A Microsoft, por exemplo, anunciou os PCs que usam o sistema operacional Windows XP Media Center Edition 2004, adaptado às novas mídias digitais. No estande da companhia de Bill Gates estava a subsidiária brasileira da Philco que apresentou o NeTVision, primeiro televisor que permite ao usuário acessar normalmente a Internet, visualizar sites e arquivos como tabelas, gráficos, texto e fotos. (segue)

Rosana Hessel

Investnews – Gazeta Mercantil

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