A moda que só tem na internet

30/08/2006

Com uma idéia na cabeça, máquina de costura numa mão e um computador na outra, jovens estilistas montam lojas virtuais de street wear com inspiração na cultura pop. Primeiro foi a música, com Napster e, mais recentemente, MySpace. Depois o vídeo, com o YouTube. Agora, chegou a vez de a moda se instalar na internet.

Esqueça os shopping centers e os desfiles da São Paulo Fashion Week. Essas roupas não são vendidas em lojas. A aposta da nova geração de designers é a praticidade e o baixo custo dos sites, que se transformam em lojas virtuais e atendem clientes em todo o país. Na contramão da indústria da moda, essas marcas não seguem tendências e não respeitam o calendário oficial de coleções. A principal inspiração é a cultura pop, traduzida em estampas de camisetas.

O começo pode ser até acidental. Foi o caso da Alguns Tormentos, do estudante de moda Eduardo Biz, 22. Há três anos, ele postou em seu blog algumas estampas que havia criado, com a intenção de mostrar aos amigos. As ilustrações de bandas indies fizeram sucesso e os amigos encomendaram. “Vi que não tinha camiseta de banda legal nas lojas. Era um mercado novo para ser explorado”, diz o rapaz.
Depois da primeira leva de camisetas, feita num transfer tosco (técnica em que a estampa é impressa num papel e transferida ao tecido por meio do calor do ferro de passar roupas), Biz decidiu investir. Montou um site e produziu mais camisetas, dessa vez em silk screen. Hoje, ele vende em média 150 camisetas por mês, por R$ 35 cada, com cortes básicos e estampas de bandas megaobscuras como Architecture in Helsinki e Sigur Rós.

Com modelagens mais arrojadas, decotes, babados, e até vestidos, a Mono, de Maria Biavati e Patrick Magalhães, da banda de rock independente Walverdes, também tem apelo pop. A loira incendiária Debbie Harry, do Blondie, e a série cinematográfica de terror cult “A Noite dos Mortos Vivos” são alguns dos temas das estampas. “No início, a idéia era fazer roupas de coisas de que nós gostamos. Como a marca cresceu, hoje tem muita estampa que é sugerida pelos clientes”, conta Maria, 23, que vende cerca de 180 peças por mês, a preços que variam de R$ 22 a R$ 50.

Ela conta que o “sonho da loja própria” existe, mas ainda está longe de ser concretizado, pois exigiria uma reestruturação total da marca, que hoje só consegue atender à demanda dos pedidos via site. “A internet é um mercado legal, dá para distribuir para o país inteiro e o correio é superconfiável”, diz.

Para comprar uma camiseta pelo site de qualquer dessas marcas, o procedimento é o simples: você escolhe o modelo e o tamanho, faz um depósito bancário (cartão de crédito ainda não rola) e espera a entrega, via correio. Todo o processo pode demorar até uma semana.

Para Jorge Queiroz, 22, da Obra, outra vantagem da web é o apelo visual. “É um jeito não muito caro de transmitir a idéia da marca. Pelo design do site, dá para passar emoção, o conceito”, diz o designer. A marca existe desde 2005 e tem uma proposta “urbana, sem ser underground”, na definição de Jorge. A coleção atual tem como tema a boemia do centro de SP e estampas que homenageiam sambas clássicos.

Já o Soma Visual faz camisetas assinadas por jovens artistas, em edições de no máximo 100 peças. “Vejo a camiseta como um veículo para mostrar o trabalho desses artistas”, diz o fundador Tiago Moraes, 29.

Divulgar uma loja virtual sem nenhum plano (nem verba) de marketing pode parecer difícil, mas o boca-a-boca tem sido eficiente. O Orkut também ajuda. Mono, Alguns Tormentos, Reverbcity e Obra já contam com comunidades no site.

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